quinta-feira, 21 de julho de 2011

Apostila para as turmas de 1 ano.

Estou postando um trecho da apostila que aborda o assunto que estamos estudando. 
Fiquem a vontade para baixar o conteúdo e estudar.

Pensamento Social no século XIX:

Diante do profundo impacto que a Revolução Francesa causou, vários pensadores franceses da época – como Saint-Simon, Comte e Le Play – passaram a procurar soluções para o estado de desorganização em que se encontrava a nova ordem social. Todavia, para se chegar a uma estabilização dessa nova ordem, seria preciso, segundo eles, conhecer as leis que regem os fatos sociais e, assim, instituir uma ciência da sociedade.



Ao início do século XIX, o capitalismo emergente desencadeou o processo de industrialização na França, especialmente no setor têxtil. Determinadas situações sociais vividas pela Inglaterra no período de sua Revolução Industrial se repetiram na sociedade francesa.



            Na terceira década desse mesmo século, houve a intensificação das crises econômicas e das divergências entre as classes sociais. Os trabalhadores franceses passaram a contestar o sistema capitalista, mas foram violentamente reprimidos pela burguesia, a qual acreditava que seria muito difícil criar uma ordem social estável e organizada.



            Percebe-se, portanto, que a Sociologia se formou a partir de um contexto histórico-social complexo e bipolarizado. Primeiramente, ela assumiu o papel intelectual de repensar o problema da ordem social, enfatizando a necessidade da existência de instituição como a autoridade, a família, a hierarquia a destacando a importância teórica delas para o estudo da sociedade.



            Segundo Le Play (1806-1882), não seria o indivíduo isolado o elemento fundamental para a compreensão da sociedade, mas sim a unidade familiar. Estudou diversas famílias de trabalhadores sob a industrialização e pôde observar que elas estavam mais instáveis do que anteriormente. Le Play acreditava que se os respectivos papéis tradicionais do homem e da mulher dentro da família fossem resgatados, as famílias e a própria sociedade poderiam adquirir mais equilíbrio.



            Os antagonismos de classe existentes na sociedade capitalista são uma característica muito forte desse sistema e, por isso, não há uma única tendência do pensamento sociológico. O que existe é uma multiplicidade de visões sociológicas a respeito da sociedade, do objeto de estudo e dos métodos de investigação dessa disciplina. Essas visões deram origem às diferentes tradições sociológicas ou distintas sociologias.



            Alguns sociólogos encararam o capitalismo com otimismo, identificando os valores e os interesses da elite como representativos do conjunto da sociedade. Partindo da percepção desses estudiosos, o funcionamento eficiente das instituições políticas e econômicas é um fenômeno essencial e as lutas de classe não passam de acontecimentos transitórios. Essa tradição sociológica que se colocou a favor da ordem instituída pelo capitalismo teve como base o pensamento conservador.




            Os conservadores ou profetas do passado – como por exemplo, Edmund Burke (1729-1797), Joseph de Maistre (1754-1821) e Louis de Bonald (1754-1840) – cultivavam o pensamento medieval. Por um lado, admiravam a estabilidade, a hierarquia social e as instituições religiosas e aristocráticas do feudalismo e, por outro, combatiam com fervor as idéias iluministas que teriam desencadeado, segundo eles, o trágico e nefasto acontecimento do final do século XVIII – a Revolução Francesa.



Aos conservadores não interessava defender o capitalismo que se acentuava cada vez mais. De maneira pessimista, enxergavam a sociedade moderna em decadência, não consideravam nenhum progresso no urbanismo, na industrialização, na tecnologia e no igualitarismo. A sociedade lhes parecia mergulhada no caos, na desorganização e na anarquia. Afirmavam que para haver ordem e coesão social, seria necessário a existência de instituições fortes, tradição e valores morais.



            É entre os sociólogos positivistas – Saint-Simon, Auguste Comte, Émile Durkheim – que as idéias conservadoras exerceram grande influência. Apesar de admirarem a linha de pensamento conservador, eles acreditavam que devido às novas circunstâncias históricas, seria impossível restaurar as instituições medievais; não seria adaptável.



            Pode-se dizer que a oficialização da Sociologia foi uma criação do positivismo. A Sociologia de inspiração positivista visa a criar um objeto autônomo – o social – e a instaurar uma relação de independência entre os fenômenos sociais e econômicos.



            Saint-Simon (1760-1825) possuía uma faceta progressista, posteriormente incorporada ao pensamento socialista, porém neste trabalho será dada maior ênfase ao seu lado positivista. Esse pensador acreditava que a existência de uma ciência da sociedade seria vital para a restauração da ordem na sociedade francesa pós-revolucionária. Assim, a nova ciência deveria descobrir as leis do progresso e do desenvolvimento social.



            De acordo com sua visão otimista em relação à industrialização, Saint-Simon considerava que ela traria progresso econômico, segurança para os homens e reduziria consideravelmente os conflitos sociais. Como medida de apoio, o pensamento social deveria orientar a indústria e a produção. Ele admitia, porém, a existência de conflitos entre dominantes e dominados e devido a isso, sustentava a idéia de que os industriais e os cientistas deveriam procurar melhorar as condições de vida dos trabalhadores. Caberia, também, à ciência da sociedade descobrir novas normas capazes de guiar a conduta da classe trabalhadora, refreando seus ímpetos revolucionários.



            Segundo vários historiadores do pensamento social, muitas idéias de Saint-Simon foram incorporadas por Auguste Comte (1798-1857), um dos fundadores da Sociologia que defendia decididamente a nova sociedade.



            Para o estudo da vida social, Comte sustentava o estabelecimento de leis imutáveis, conforme as ciências físico-naturais. Desse modo, a Sociologia seria a “Física social”, que deveria utilizar em suas investigações o mesmo método sistemático daquelas ciências.

Em suas pesquisas, ele salientou a necessidade de se evitar as crises sociais, ou se possível, de prevê-las. Basicamente, a ciência conduziria à previdência, a qual daria subsídios à ação.



            Um aspecto característico das idéias de Comte é sua preocupação com a complementaridade necessária da ordem e do progresso na nova sociedade. Para ele, o equilíbrio entre esses dois elementos seria fundamental, já que os conservadores defendiam a ordem em detrimento do progresso e os revolucionários eram ávidos pelo progresso, deixando a ordem em segundo plano.



            Transferindo suas idéias para a prática, implantando a ordem e também criando um conjunto de crenças comuns a todos os homens, Comte acreditava que seria possível reverter a situação de desorganização social vivenciada pelas sociedades européias e chegar gradativamente ao progresso.



            Émile Durkheim (1858-1917) compartilhava com Comte a preocupação com a ordem social. Caracterizava a sociedade industrial como que submersa em um estado de anomia, isto é, a ausência de regras claramente estabelecidas que pudessem reger e controlar a conduta dos indivíduos. A partir daí, em uma de suas teses sustentava que o estado de anomia incidia diretamente no crescente número de suicídios.



quinta-feira, 16 de junho de 2011

Pensanento Social no séc. XVIII- O Iluminismo

1- Leia este trecho, em que se faz referência à construção do mundo moderno:

... os modernos são os primeiros a demonstrar que o conhecimento verdadeiro só pode nascer do trabalho interior realizado pela razão, graças a seu próprio esforço, sem aceitar dogmas religiosos, preconceitos sociais, censuras políticas e os dados imediatos fornecidos pelos sentidos.

                CHAUÍ, Marilena. "Primeira filosofia". 4. ed. São Paulo: Brasiliense, 1985. p. 80.



A partir da leitura desse trecho, identifique as características do mundo moderno.    



2- "Dois acontecimentos que fizeram época marcam o início e o fim do Absolutismo clássico, Seu ponto de partida foi a guerra civil religiosa. O Estado moderno ergue-se desses conflitos religiosos mediante lutas penosas, e só alcançou sua forma e fisionomia plenas ao superá-los. Outra guerra civil - a Revolução Francesa - preparou seu fim brusco."

Fonte: KOSELLECK, Reinhart. "Crítica e crise". Rio de Janeiro, Eduerj & Contraponto, 1999, p. 19.



a) Identifique dois aspectos que caracterizavam o exercício da autoridade pelo Estado Absolutista.

b) Explique por que o Estado Absoluto não atendia aos interesses da burguesia no sec. XVIII.

c) Identifique o que os iluministas queriam dizer com Estado representativo e legítimo.



3- Profundamente marcado pela ascensão econômica e política da burguesia, o pensamento dos séculos XVIII e da primeira metade do XIX  tendeu a refletir as ideias, os interesses e necessidades dessa classe. Sinteticamente, pode-se dizer que esse pensamento fundamentava-se em três valores básicos: a liberdade, o individualismo e a igualdade. Explique de que forma esses valores estão, necessariamente, inter-relacionados.



4- Leia com atenção o texto a seguir, baseado em DAS TREVAS MEDIEVAIS (...) de Carlo Ginzburg:

Em 1965, a cidade de Nova York mergulhou numa imensa escuridão devido à pane de uma central hidrelétrica, situada nas cataratas do Niágara. A cidade foi lançada bruscamente nas trevas e os jornais, confeccionados manualmente, perceberam a extrema vulnerabilidade da sociedade industrial. Um escritor se inspirou nesse acontecimento e fez um livro de ficção chamado UMA NOVA IDADE MÉDIA DE AMANHÃ.



a) Que formas de energia estão envolvidas no processo de geração numa hidrelétrica?

b) Qual o sistema de pensamento do século XVIII que fez a associação entre a luz e o progresso científico?

c) Segundo esse sistema de pensamento, quais as características da Idade Média?



5- Escrito em 1880, o livro de Friederich Engels, Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico, buscou discutir os limites do chamado Socialismo Utópico. Os filósofos do Socialismo Utópico acreditavam que a partir da compreensão e da boa vontade da burguesia se poderia transformar a sociedade capitalista, eliminando o individualismo, a competição, a propriedade individual e os lucros excessivos, todos responsáveis pela miséria dos trabalhadores. Como alternativa àquela corrente, Engels e Marx propunham o Socialismo Científico.



Com base nessa informação:

a) caracterize a alternativa proposta por Engels e Marx - o Socialismo Científico - em relação ao papel dos trabalhadores na transformação da sociedade.

b) mencione uma proposta levada a efeito pelos socialistas utópicos.

Atividades para o 2 ano.


1- Leia o texto abaixo:

"Meu pai era um gigante, caçador de léguas, um feroz domador de onças pretas, terror do mato, assombração das borboletas...
...Hoje sou gente grande. Sou comissário de café. Tenho viadutos encantados. Minha cidade é esse tumulto colorido que aí passa levando as fábricas pelas rédeas pretas de fumaça!"
                (Cassiano Ricardo, poesia Brasil-Menino, em MARTIM CERERÊ, 1928)  

a) A partir do texto, explique o processo econômico que propiciou o desenvolvimento urbano de São Paulo.
b) De que maneira o passado e o presente de São Paulo se fundem nesses versos?
c) Explique por que o Estado de São Paulo recebe, ainda hoje, grandes quantidades de imigrantes nordestinos.



2- Leia o trecho abaixo:

"Essa cova em que estás,
com palmos medida,
é a conta menor
que tiraste em vida.
É de bom tamanho,
nem largo nem fundo,
é a parte que te cabe
deste latifúndio.


É de bom tamanho,
nem largo nem fundo,
é a parte que te cabe
deste latifúndio.


Não é cova grande,
é cova medida,
é a terra que querias
ver dividida."

                              (João Cabral de Mello Neto, MORTE E VIDA SEVERINA)

                     
a) Qual o conflito social abordado neste poema?
b) Relacione este conflito existente hoje no Brasil e o passado colonial de nossa história.

3- "Ao despontar do Século XX, quase alheios à evolução da cultura brasileira e com certo atraso, vários estilos europeus continuavam chegando ao Brasil. Coube ao Movimento de 22 imprimir, de modo ruidoso, uma reviravolta e novo rumo à criação cultural brasileira."
A partir do texto acima, estabeleça os vínculos entre as transformações sociais urbanas e o fenômeno cultural denominado Semana de Arte Moderna.

4- A tabela apresentada foi construída com base no censo industrial de 1907 e no recenseamento de 1920. Considerando os dados nela constantes, explique a relação existente entre a Primeira Guerra Mundial e o fenômeno observado na evolução do número de empresas e o de operários entre 1907 e 1920.










segunda-feira, 13 de junho de 2011

Identidade Cultural

ccc


Identidade Cultural: perda ou acréscimo de valores?

Quando pensamos em identidade cultural, logo nos vem à mente uma estrutura fixa e intocável de determinada sociedade ou grupo de pessoas. Será que é esse o verdadeiro significado dessa identidade? A seguir, segue uma entrevista com o professor Rogério Lustosa, que tornarão mais claras as idéias acerca desse tema:
O que é identidade cultural?
A identidade cultural é vista como uma forma de identidade coletiva característica de um grupo social que partilha as mesmas atitudes. Está apoiada num passado com um ideal coletivo projetado e se fixa como uma construção social estabelecida e faz os indivíduos se sentirem mais próximos e semelhantes. É ela responsável pela identificação e diferenciação dos diversos indivíduos de uma sociedade, sendo está comparada em diversas escalas. A identidade cultural de determinado povo está intimamente ligada à memória deste, mas não pode ser vista como sendo um conjunto de valores fixos e imutáveis que definem o indivíduo e a coletividade a qual ele faz parte. Faz parte do processo de sobrevivência das sociedades a incorporação de elementos novos e isso é o que as mantêm ao longo do tempo.

De que forma a identidade cultural influencia na relação individuo-sociedade?
A identidade cultural é fator condicionante da relação individuo-sociedade, pois é através dela que o individuo se adapta e reconhece um ambiente como seu. Dessa forma, sem a identidade cultural seria impossível que as pessoas se encaixassem em uma sociedade com características próprias. Segundo a percepção de identidade, a cultura adquire a função de delimitar as diversas personalidades e formar diferentes grupos humanos.

Quais são os fatores que levam a perda da identidade cultural? E como podemos evitá- la?
Com a pós-modernidade e com todo um processo de novas informações e tecnologias que cada vez mais aparecem, torna-se difícil a percepção de contornos nítidos do que chamamos “identidade cultural” de determinada sociedade. O termo “perda” não é, assim, o mais adequado a ser usado, já que as sociedades e suas diferentes culturas estão em constante dinâmica. Poderíamos falar de uma “crise de identidade” se considerássemos as mudanças freqüentes das sociedades modernas decorrentes do processo de globalização que de certa forma descaracterizam os grupos populacionais, mas as identidades culturais não são fixas e imutáveis.

Para as sociedades capitalistas, de que forma esse modelo econômico pode ser considerado um componente da identidade cultural ou um fator que leva à sua perda?
A identidade cultural e a unidade política num mundo dominado por grupos transnacionais que fundam seu poder no controle da tecnologia, da informação e do capital financeiro são bastante ameaçadas. Por isso, o sistema econômico capitalista exerce bastante influencia na perda dos limites que caracterizam as diferentes identidades culturais, apesar de fazer parte do conjunto de características das mesmas.

Em quais áreas a perda da identidade cultural é mais acentuada?
Estabelecer uma relação de maior ou menor perda em determinado aspecto cultural que em outro é algo errôneo. Ora, pois, se perdemos em um aspecto da identidade cultural (Dança, por exemplo) perdemos, automaticamente em outros (Vestuário, comida, folclore, entre outros). Devemos pensar a identidade cultural como um todo, composto por diversas partes, todas de fundamental importância, como um mosaico.
Atividades:
1- Aponte a importância da identidade cultural para a constituição da vida em sociedade?
2- Qual a importância da identidade cultural para o estudo da Sociologia?
3- De acordo com  o texto como o capitalismo globalizado tem afetado a identidade cultural?
4- Explique por que podemos afirmar que a identidade cultural se apresenta como um mosaico.