quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Apostila de Sociologia 3 ano

Apostila de Sociologia  
Elaborada por Bianca Wild e por Ezimar Bravin

 O que iremos estudar:

·         Por que somos como somos?
·         O surgimento da Sociologia
·         Conhecimento Científico e Conhecimento do Senso Comum;
·         O objeto da sociologia;
·         A relação indivíduo-sociedade;
·         Teorias sociológicas na compreensão do presente.


Por que somos como somos?
Por que somos como somos? Por que agimos como agimos? Essas são as principais dúvidas que norteiam o pensamento sociológico, principais premissas. A sociologia é o estudo da vida social humana, da vida em grupos e das diferentes sociedades existentes e seu objeto de estudo é nosso próprio comportamento como seres sociais.
Para compreendermos de que trata a sociologia temos que nos distanciar de nós mesmos, temos que nos considerar seres humanos entre os outros. Na verdade a sociologia trata dos problemas da sociedade e a sociedade é formada por nós e pelos outros. Aquele que estuda e pensa a sociedade, o sociólogo, é ele próprio um dos seus membros.
Justamente, a Sociologia nos mostra a necessidade de assumir uma visão sobre por que somos como somos e por que agimos como agimos, ela nos ensina que aquilo que encaramos como natural, inevitável, bom ou verdadeiro, pode não ser exatamente assim, afinal nem tudo é o que parece ser, e que os “dados” de nossa vida são fortemente influenciados por forças históricas e sociais.
Aprender a pensar sociologicamente significa, antes de tudo, cultivar a imaginação, um sociólogo é alguém que é capaz de se libertar da imediatidade das circunstâncias pessoais e apresentar as coisas num contexto mais amplo.
A imaginação sociológica (Mills, 1970), exige de nós que pensemos fora das rotinas familiares, de nossas vidas cotidianas, a fim de que as observemos de modo renovado (Giddens, A. Sociologia, Porto Alegre: Artmed, 2005).

Como seriam suas respostas se alguém lhe fizesse as seguintes perguntas:
— Por que o Brasil é visto como um país em desenvolvimento, para não dizer atrasado, em relação aos países mais ricos, mesmo sendo uma das maiores economias do mundo?
— Por que o homem moderno cada vez mais se faz prisioneiro do trabalho?
— Apesar de tanta riqueza produzida pelo trabalho no sistema capitalista, por que se tem, em boa parte dos países, a maioria dos trabalhadores em situação de pobreza?
Talvez você consiga dar boas respostas às perguntas acima, apontando, inclusive, as origens dos problemas questionados, porém, outros, não tendo argumentos para dar boas respostas, diriam:
“eu acho que...”.
Com certeza você já ouviu a frase: “Quem acha, pode não saber muita coisa”
Todos podemos ir além do que já sabemos, ou “achamos” saber sobre nossa sociedade. E o papel da Sociologia como disciplina é justamente nos ajudar nesse sentido: a percebermos, por exemplo, que fatos considerados naturais na sociedade, como a miséria de muitos, o enriquecimento de poucos, os crimes,  os suicídios, enfim, a dinâmica e a organização social podem não ser tão naturais assim.
Os questionamentos apresentados acima, poderão ser elucidados pelas teorias, pelas perspectivas (visões) teóricas sociológicas que nos ajudarão a ver nossa sociedade de maneira muito mais crítica e com base científica.  


Desenvolvendo uma perspectiva sociológica

Considere o ato de tomar uma xícara de café, o que poderíamos dizer, a partir de um ponto de vista sociológico sobre esse exemplo de comportamento aparentemente comum, simples, desinteressante?
Muitas coisas… poderíamos ressaltar que o café não é apenas uma bebida, ele possuí valor simbólico como parte de nossas atividades sociais diárias, para muitos a xícara de café matinal ocupa o centro de uma rotina pessoal, ela é um primeiro passo essencial para começar o dia. Durante o dia muitos tomam café acompanhados de uma ou mais pessoas como parte de um ritual social, duas pessoas que combinam se encontrar para tomar um café, estão provavelmente mais interessadas em ficarem juntas, a manter uma conversa, do que na bebida propriamente.Comer e beber em todas as sociedades, fornece ocasiões para a interação social e para a encenação de rituais.
Outro ponto: o café é uma droga, por conter cafeína, substância altamente estimulante, que consumida em doses excessivas pode fazer mal, muitas pessoas bebem café pelo estímulo extra que esta bebida propicia. O café causa dependência, mas os viciados em café não são vistos como usuários de drogas; assim como o álcool o café é uma droga socialmente aceita, inclusive, mas recentemente comprovou-se que pode contribuir para elevar os níveis de concentração, melhorar a memória e diminuir os níveis de colestorol, contudo mesmo assim, não devemos aconselhar o consumo excessivo desta bebida.
Mais uma questão: um indivíduo que bebe café é apanhado em uma complicada trama de relacionamentos sociais e econômicos que se estendem pelo mundo.O café é uma bebida consumida desde os mais pobres até os mais ricos em diversas partes do mundo, é consumido em grandes quantidades nos países ricos, contudo cultivado nos países mais pobres, apesar da oscilação no mercado devido a inúmeros fatores, o café ainda é, ao lado do petróleo e de outros produtos, uma das mercadorias mais valiosas no comércio internacional. A produção, o transporte  e a distribuição de café requerem transações contínuas entre pessoas a milhares de quilômetros de distância de seu consumidor. Estudar essas transações globais é uma importante tarefa da Sociologia.
Outra: O café é um produto que permanece no centro dos debates contemporâneos sobre globalização, comércio internacional, direitos humanos e degradação/destruição ambiental, o café tornou-se uma marca e politizou-se: o consumidor pode escolher qual tipo de café beber e onde adquiri-lo, tornou-se estilo de vida.Os indivíduos podem escolher entre beber somente café orgânico, café naturalmente descafeinado, ou café comercializado “honestamente” (através de esquemas que pagam integralmente o preço de mercado a pequenos produtores de café em países em desenvolvimento), podem optar por ser clientes de cafeterias independentes ao invés de “cadeias corporativas” de café como a Starbucks, os consumidores de café podem boicotar o café vindo de certos países que violam os direitos humanos e acordos ambientais.Os sociólogos buscam compreender como a globalização aumenta a consciência das pessoas acerca de fatos que vem ocorrendo em diversas partes do mundo, estimulando-as,  construindo conhecimentos sobre assuntos até então desconhecidos, e a construir uma perspectiva crítica acerca de assuntos que influenciam suas vidas direta ou indiretamente (Giddens, A. Sociologia, Porto Alegre: Artmed, 2005).
Quando alguém começar uma resposta com as palavras “eu acho que...”, esta resposta pode não ser satisfatória, ou corresponder as nossas expectativas acerca do assunto tratado. O que não significa, porém, que ela deva ser rejeitada, ela precisa ser apurada, reinada. Por exemplo, se alguém nos perguntasse por que em um mesmo país, observamos realidades sociais tão distintas, poderíamos responder com base em dados, na história, na geografia etc., enfim poderíamos oferecer uma resposta certeira, ou apenas responder “eu acho que...”, baseados no senso comum.
Existem muitas outras coisas que acontecem na sociedade e que nos atingem diretamente. E para todas essas coisas seria muito bom que tivéssemos curiosidade para saber se aquilo que é mostrado é realmente como é. E a Sociologia?

A sociologia contribui para que possamos entender um pouco mais o lugar onde vivemos…
O senso comum não deve ser rejeitado, entretanto, você pode ir além desse conhecimento comum, neste caso, sobre a sociedade. Todos nós somos sociólogos, de uma forma ou de outra, pois estamos constantemente refletindo acerca de nossas experiências, analisando os nossos comportamentos e o comportamento dos outros.Avançar um pouco mais em relação a um conhecimento elaborado e investigativo vai nos trazer um entendimento mais claro sobre como funciona a sociedade, dentre outras coisas.
Além do fato de que você terá maior autonomia para CONCORDAR OU DISCORDAR sobre as questões que você vive na sociedade e não será influenciado pelo bombardeio de informações parciais oferecidas pela mídia.Essa é a independência que queremos: A  DE REFLEXÃO.


Atividade  

- Elite Social
Você já ouviu falar na existência dela na Sociedade? Pesquise e veja o que você consegue sobre esse termo (em livros, revistas, pessoas que você conhece, internet etc.). Traga os seus registros. Vamos iniciar uma discussão a partir do que sabemos, hoje, sobre a chamada elite. Por que ela é considerada elite e como surgiu?

O que é ser alienado?

Veja: se não tivermos nossa independência de pensamento e ação, ou seja, se não conseguimos refletir sobre aquilo que vemos e ouvimos, ou se concordamos com tudo o que acontece a nossa volta, com tudo o que nos é transmitido pelas mídias,  então podemos estar vivendo de forma alienada e conformista.
Segundo a filósofa brasileira Marilena Chauí, a alienação acontece quando o homem não se vê como sujeito (criador) da história e, nela, capaz de produzir obras.
Para o homem alienado e segundo esta mesma visão, a história e as obras produzidas nela são fatos estranhos e externos a ele. E, sendo estranhos tal homem não os pode controlar, ficando numa posição de dominado. Já o conhecimento pode nos fazer transformadores da história, e não apenas espectadores dela.
A Sociologia não é redentora ou solucionadora dos males sociais, ou dos problemas intelectuais das pessoas. Ela surge como uma ciência que vai fornecer novas visões sobre a sociedade. Sua contribuição está no fato de nos dar referenciais para refletirmos sobre as sociedades.


Atividade:  “AUTONOMIA DE REFLEXÃO”.

Observe sua comunidade e traga para nossa aula uma relação dos “problemas sociais” que nela existem. Vamos discutir a possível origem dos mesmos, a partir do que temos hoje, em termos de recursos teóricos, para mais tarde podermos retomar essas questões.

ORIGEM DA SOCIOLOGIA

Antiguidade Clássica: a “Gênesis sociológica”.

Apesar de a ciência sociológica ser considerada nova, pois se consolidou por volta do século XIX, a nesessidade de se entender as sociedades, a busca por explicações remonta de tempos antigos, tanto que na Grécia Antiga já havia o desejo de se entender a sociedade.
No século V a.C, havia uma corrente filosófica, chamada sofista[1], que começava a dar mais atenção para os problemas sociais e políticos da época. Porém, não foram os gregos os criadores da Sociologia. Mas foram os gregos que iniciaram o pensamento crítico filosófico. Eles criaram a Filosofia que foi um impulso para o surgimento daquilo que chamamos, hoje, de ciência, a qual se consolidaria a partir dos séculos XVI e XVII, sendo uma forma de interpretação dos acontecimentos da sociedade mais distanciada das explicações míticas.
Foram com os filósofos gregos Platão (427-347 a.C) e Aristóteles (384-322 a.C), que surgiram os primeiros passos dos trabalhos mais reflexivos sobre a sociedade. Platão foi defensor de uma concepção idealista e acreditava que o aspecto material do mundo seria um tipo de fruto imperfeito das idéias universais, as quais existem por si mesmas.
Aristóteles já mencionava que o homem era um ser que, necessariamente, nasce para estar vivendo em conjunto, isto é, em sociedade. No seu livro chamado Política, no qual consta um estudo dos diferentes sistemas de governo existentes, percebe-se o seu interesse em entender a sociedade.

Idade Média e predomínio da fé.

Séculos mais tarde ao período em Aristóteles viveu, no período chamado de Idade Média (que vai do século V ao XV, mas exatamente entre os anos 476 a 1453)[2], houve, segundo os renascentistas, um período de “trevas” quanto à maneira de se ver o mundo, por isso a Idade Média é conhecida também por “idade das trevas”.
Segundo eles, havia um predomínio da fé, onde os campos mítico e religioso tendiam a oferecer as explicações mais viáveis/aceitáveis para os fatos do mundo. Na Europa Medieval, esse predomínio religioso foi da Igreja Católica. Tal predomínio da fé, de certo modo, e segundo os humanistas renascentistas, asfixiava as tentativas de explicações mais especulativas e racionais (filosóficas e científicas) sobre a sociedade.
Não cumprir uma regra ou lei estabelecida pela sociedade, poderia ser entendido como um pecado, heresia, tamanha era a mistura entre a vida cotidiana (imanente) e a esfera sobrenatural (transcendente).
Se olharmos a Idade Média somente pela ótica dos renascentistas podemos entendê-la como uma época improdutiva, em termos de evolução do conhecimento, contudo, ela também foi um período muito rico para a história da humanidade, importante, inclusive, para a formação da nossa casa, o mundo ocidental.

Idade Moderna: tudo caminhava para o uso da razão

O predomínio, na organização das relações sociais dos princípios religiosos durou até pelos menos o século XV. Mas já no século XIV começava a acontecer uma renovação cultural. Era o início do período conhecido por Renascimento.
Os renascentistas, com base naquilo que os gregos começaram, isto é, a filosofia,  questionavam o mundo de maneira reflexiva, rejeitavam tudo aquilo que seria parte da cultura medieval, presa aos moldes da igreja, no caso, a Católica.
O renascimento espalhou-se por muitas partes da Europa e influenciava a arte, as ciências, a literatura e a filosofia, defendendo, sempre, o espírito crítico. Nesse tempo, começaram a aparecer homens que, de forma mais realista, começavam a investigar a sociedade. A exemplo disso temos Nicolau Maquiavel (1469-1527) que, em sua obra intitulada O Príncipe, faz uma espécie de manual do bom governante para Lorenzo de Médici. Ali comenta como o governante pode manipular os meios para a finalidade de conquistar e manter o poder em suas mãos. “ O Príncipe” pode ser considerada a primeira obra de Ciência Política, por isso Maquiavel é considerado o pai da Ciência política. Obras como esta davam um novo olhar para sociedade, olhar pelo qual, através da razão os homens poderiam dominar a sociedade, longe de influências divinas.
Era a doutrina do antropocentrismo ganhando força. O homem passava a ser visto como o centro de tudo, inclusive do poder de inventar e transformar o mundo pelas suas ações. Além de Maquiavel, outros autores renascentistas, como Francis Bacon [3](1561-1626), filósofo e criador do método científico conhecido por experimental, ajudavam a dar impulso aos tempos de domínio da ciência que se iniciavam.
Precisamos ter conhecimento da história para podermos perceber que nem sempre as pessoas puderam contar com a ciência para entender o mundo, sobretudo o social, que é o queremos compreender.
Dessa maneira, muitas pessoas no passado, ficaram ‘presas’ principalmente, àquelas explicações a respeito da realidade que eram baseadas na tradição, em mitos antigos ou em explicações religiosas.

O Iluminismo

Já no século XVIII, houve um momento na Europa, chamado de Iluminismo, que começou na Inglaterra e na França, mas que posteriormente espalhou-se por todo o continente, a idéia de valorizar a ciência e a racionalidade no entendimento da vida social tornou-se ainda mais forte.
Uma característica das idéias do Iluminismo era o combate ao Estado absoluto, ou absolutismo, que começou a surgir na Europa ainda no final da Idade Média, no século XV, em que o rei concentrava todo o poder em suas mãos e governava sendo considerado um representante divino na terra, uma voz de Deus, a qual até a igreja se sujeitava. Emergia o Liberalismo tanto político, quanto econômico.
Na sua face política o liberalismo condenava o Estado Absoluto e defendia a legalidade e o direito à representatividade. Na sua face econômica, contrário ao Mercantilismo, o liberalismo defendia o fim da intervenção do Estado na economia.  
Com a ciência ganhando força, era inviável o fato de voltar a pensar a vida e a organização social por vias que não levassem em conta as considerações da ciência em debate com as de fundo religioso. Como por exemplo, imaginar os governantes como sendo representantes de forças sobrenaturais.
Nesse período, a continuada consolidação da reflexão sistemática sobre a sociedade foi ajudada por autores como Voltaire (1694-1778), filósofo que defendia a razão e combatia o fanatismo religioso; Jean- Jacques Rousseau (1712-1778), que estudou sobre as causas das desigualdades sociais e defendia a democracia; Montesquieu (1689-1755), que criticava o absolutismo, e defendia a criação de poderes separados (executivo, legislativo e judiciário), os quais dariam maior equilíbrio ao Estado, uma vez que não haveria centralidade de poder na mão do governante.
A partir das teorias sobre a sociedade que no período Iluminista surgiram, é que começa a ser impulsionada, ou preparada, a idéia da existência de uma ciência que pudesse ajudar a interpretar os movimentos da própria sociedade. Consolidação do Capitalismo e a Revolução Industrial.
Estamos mudando de assunto, em parte, porém não estamos deixando de falar do surgimento da Sociologia. Há outros elementos que a motivaram surgir. As transformações na sociedade européia não estavam ocorrendo somente no campo das idéias, como era o caso da consolidação da ciência como ferramenta de interpretação do mundo.
Há também a desagregação da sociedade feudal, a consolidação do sistema capitalista, culminando com a Revolução Industrial, que ocorreu em meados do século XVIII, na Inglaterra, gerando grandes alterações no estilo de vida das pessoas, sobretudo nas das que viviam no campo e do campo ou por meio de atividades artesanais. Estes temas despertavam o interesse de críticos da época.
Dessa maneira, quando a Sociologia iniciou os seus trabalhos, ela o fez com base em pensadores que viram os problemas sociais ocasionados a partir da crise gerada pelos fatos acima mencionados.

Recorrendo à História:

Podemos dizer que o início do sistema capitalista se deu na chamada Baixa Idade Média, entre os séculos XI e XV, na Europa Ocidental. A partir do século XI, com as “cruzadas” realizadas pela Igreja Católica, para conquistar Jerusalém que estava dominada pelos muçulmanos, um canal de circulação de riquezas na Europa foi aberto.
O contato cultural e o comércio do ocidente com o oriente europeu foram retomados via Mar Mediterrâneo. Com a movimentação de pessoas e riquezas houve, na Europa Ocidental, o surgimento de núcleos urbanos, conhecidos por burgos. Destes, surgiram as cidades, pois existiam poucas naquele tempo.
As chamadas corporações de ofício, que eram uma espécie de associação comercial da época que organizava as atividades artesanais para ter acordo entre os preços de venda e qualidade do produto, por exemplo, começaram a aparecer a fim de regular o trabalho dos artesões que vinham para as cidades exercer sua profissão, a idéia do lucro se fortalecia.
Mais tarde, os europeus começaram a explorar o comércio em termos mundiais, principalmente depois dos séculos XV e XVI e das chamadas Grandes Navegações. Por exemplo, com o descobrimento da América, muita riqueza daqui era levada à Europa para a criação de mercadorias que seriam vendidas nesse mercado mundial que estava surgindo. A idéia de uma produção em série de mercadorias começava a surgir.
As antigas corporações de ofício foram transformadas pelos comerciantes da época em manufatura. O trabalho manufatureiro acontecia com vários artesãos, em locais separados e dirigidos por um comerciante que dava a eles a matéria-prima e as ferramentas. No final do trabalho encomendado, os artesões recebiam um pagamento acertado com o comerciante.
Os comerciantes (futuros empresários capitalistas) pensaram que seria melhor reunir todos esses artesãos num só lugar, pois assim poderiam ver o que eles estavam produzindo. Além de cuidar da qualidade do produto, o controle sobre a matéria-prima e o ritmo da produção poderia ser maior.
Foi então que surgiu a idéia da fábrica, um lugar com uma produção mais organizada, com a acentuação da divisão de funções (hierarquização), onde o artesão ia deixando de participar do processo inteiro de produção da mercadoria e onde passava a operar apenas parte da produção. Desse ponto para a implantação das máquinas movidas a vapor, restava somente o tempo da invenção das mesmas. Quando o inventor escocês James Watt (1736-1819) conseguiu patentear a máquina a vapor, em abril de 1784, ela veio dar grande impulso à industrialização que se instalava, aumentando a produção, diminuindo os gastos com mão-de-obra e aumentando o acúmulo de capital.
O sistema feudal da Europa Ocidental, estava sendo superado. Ele não conseguiria suprir as necessidades dos novos mercados que se abriam. O sistema capitalista, com base na propriedade privada dos meios de produção e no lucro, isto é, na acumulação de capital, estava sendo consolidado.
A partir da Revolução Industrial (século XVIII), as cidades da Europa Ocidental começavam a se transformar em grandes centros urbanos comerciais e, posteriormente, industriais. Muitas delas “intumescidas” e repletas de desempregados. O estilo de vida das pessoas estava se transformando – para alguns de forma violenta e radical – como era o caso de muitos camponeses que eram expulsos pelos senhores das terras onde trabalhanvam que estavam seguindo a política de “cercamentos” de terra, para criar ovelhas e fornecer lã às fábricas de tecidos.
Já no caso dos artesãos, esses “perdiam” sua qualificação profissional e o controle sobre o que produziam, ou seja, de profissionais, passavam a “não ter profissão”, pois a indústria era quem ditava que tipo de profissional precisava ser. Não importava se fossem grandes artesãos, só precisariam aprender a operar a máquina da fábrica, como não tinham capital para ter uma produção autônoma e competir com a fábrica, submetiam-se ao trabalho assalariado.
Novas e grandes invenções estavam sendo realizadas no campo tecnológico, como as próprias máquinas a vapor das indústrias. O comércio mundial estava aumentando cada vez mais. E em meio a isto, duas classes distintas emergiam: a composta pelos empresários e banqueiros, chamada de classe burguesa, e a classe assalariada, ou proletária.
A classe burguesa é aquela que ao longo do tempo veio acumulando capital com o comércio e reteve os meios de produção em suas mãos, isto é, as ferramentas, os equipamentos fabris, o espaço da fábrica, etc., ou seja, eram os donos dos meios de produção,e também detinham o poder político. Já a classe proletária, sem capital e expropriada dos meios de produção por meio de sua expulsão dos feudos e das terras comuns, tornava-se fornecedora de mão-de obra aos donos das fábricas.
O quadro social na Europa Ocidental do período passava, então, por transformações profundas, provocadas pela consolidação do sistema capitalista, pela valorização da ciência contrapondo as explicações míticas a respeito do mundo, pela abertura de mercados mundiais e pelas divergências ocasionadas pelas péssimas condições de vida dos operários, confrontadas com o enriquecimento da classe burguesa. É em meio a todas essas mudanças que a Sociologia começa a ser pensada como sendo uma ciência para dar respostas mais elaboradas sobre os novos problemas sociais.
A Sociologia e suas teorias constituem-se como ferramentas de reflexão sobre a sociedade industrial e científica que surgia.

Atividade
Que relação há entre o sistema capitalista, a existência de uma elite na sociedade e o processo de alienação? Retomando os problemas que você levantou para as atividades I e II , relacione-os com o estilo de vida imposto pelo sistema capitalista.

Exercícios
1)(UEL) A Sociologia é uma ciência moderna que surge e se desenvolve juntamente com o avanço do capitalismo. Nesse sentido, reflete suas principais transformações e procura desvendar os dilemas sociais por ele produzidos. Sobre a emergência da sociologia, considere as afirmativas a seguir:

I. A Sociologia tem como principal referência a explicação teológica sobre os problemas sociais decorrentes da industrialização, tais como a pobreza, a desigualdade social e a concentração populacional nos centros urbanos.
II. A Sociologia é produto da Revolução Industrial, sendo chamada de “ciência da crise”, por refletir sobre a transformação de formas tradicionais de existência social e as mudanças decorrentes da urbanização e da industrialização.
III. A emergência da Sociologia só pode ser compreendida se for observada sua correspondência com o cientificismo europeu e com a crença no poder da razão e da observação, enquanto recursos de produção do conhecimento.
IV. A Sociologia surge como uma tentativa de romper com as técnicas e métodos das ciências naturais, na análise dos problemas sociais decorrentes das reminiscências do modo de produção feudal.

Estão corretas apenas as afirmativas:
a) I e III.
b) II e III.
c) II e IV.
d) I, II e IV.
e) I, III e IV.

2) (UFUB) Selecione as afirmativas que indicam o contexto histórico, social e filosófico que possibilitou a gênese da Sociologia.

I – A Sociologia é um produto das revoluções francesa e industrial e foi uma resposta às novas situações colocadas por estas revoluções.
II – Com o desenvolvimento do industrialismo, o sistema social passou da produção de guerra para a produção das coisas úteis, através da organização da ciência e das artes.
III – O pensamento filosófico dos séculos XVII e XVIII contribuiu para popularizar os avanços científicos, sendo a Teologia a forma norteadora desse pensamento.
IV – A formação de uma sociedade, que se industrializava e se urbanizava em ritmo crescente, propiciou o fortalecimento da servidão e da família patriarcal.

Assinale a alternativa correta:

A) III e IV.
B) I, II e III.
C) II, III e IV.
D) I e II.
E) Todas as alternativas estão corretas.

3) (UFMG) Sobre o surgimento da Sociologia, podemos afirmar que:

I – A consolidação do sistema capitalista na Europa no século XIX forneceu os elementos que serviram de base para o surgimento da Sociologia enquanto ciência particular.
II – O homem passou a ser visto, do ponto de vista sociológico, a partir de sua inserção na sociedade e nos grupos sociais que a constituem.
III – Aquilo que a Sociologia estuda constitui-se historicamente como o conjunto de relacionamentos que os homens estabelecem entre si na vida em sociedade.
IV – Interessa para a Sociologia, não indivíduos isolados, mas inter-relacionados com os diferentes grupos sociais dos quais fazem parte, como a escola, a família, as classes sociais e etc.

A alternativa que apresenta as afirmativas corretas é
A) II e III estão corretas.
B) I, II, III e IV estão corretas.
C) I e IV estão corretas.
D) I, III e IV estão corretas.
E) II, III e IV estão corretas

4) (UFUB) Surgida no momento de consolidação da sociedade capitalista, a Sociologia tinha uma importante tarefa a cumprir na visão de seus fundadores, dentre os quais se destaca Auguste Comte. Assinale a alternativa correta quanto a essa tarefa.

A) Desenvolver o puro espírito científico e investigativo, sem maiores preocupações de natureza prática, deixando a solução dos problemas sociais por conta dos homens de ação.
B) Incentivar o espírito crítico na sociedade e, dessa forma, colaborar para transformar radicalmente a ordem capitalista responsável pela exploração dos trabalhadores.
C) Contribuir para a solução dos problemas sociais decorrentes da Revolução Industrial, tendo em vista a necessária estabilização da ordem social burguesa.
D) Tornar realidade o chamado “socialismo utópico”, visto como única alternativa para a superação das lutas de classe em que a sociedade capitalista estava mergulhada.
E) Nenhuma das anteriores


AS TEORIAS SOCIOLÓGICAS NA COMPREENSÃO DO PRESENTE

Auguste Comte e o Positivismo.

Auguste Comte (1798-1857), foi quem criou o termo “sociologia” a partir da organização do seu curso de Filosofia Positiva. O que desejava Comte com esse curso?
 Ele pretendia fazer uma síntese da produção científica, ou seja, verificar aquilo que havia sido acumulado em termos de conhecimento, bem como os métodos das ciências já existentes, como os da Matemática, da Física e da Biologia. Ele queria saber se os métodos utilizados nessas ciências, os quais já haviam alcançado um “status” de positivo, poderiam ser utilizados na física social, denominada, por ele de Sociologia.
Este pensador era de uma linha positivista, o que quer dizer que acreditava na superioridade da ciência  e no seu poder de explicação dos fenômenos (Cientificismo) de maneira desprendida da religiosidade, como era comum se pensar naquela época. Como positivista ele acreditava que a ciência deveria ser utilizada para organizar a ordem social.
Na visão do conhecido “Pai” da Sociologia, naquela época, a sociedade estava em desordem, orientada pelo caos. Devemos considerar que Comte vislumbrava o mundo moderno que surgia, isto é, previa a consolidação de um mundo cada vez mais influenciado pela ciência e pelo estabelecimento da indústria, e a crise gerada por uma certa anarquia moral e política quando da transição do sistema feudal  para o sistema capitalista. Era essa positividade (instaurar a disciplina e a ordem) que ele queria para a Sociologia.
Assim sendo quando Comte pensava a Sociologia, colocava toda sua crença de que poderia estudar e entender os problemas sociais que surgiam e reestabelecer a ordem social e o progresso da civilização moderna. Ele queria que a Sociologia estudasse de forma aprofundada os movimentos das sociedades (dinâmica e estática) para se entender o presente e, inclusive, para imaginar o futuro da sociedade.
Olhando o passado para compreender o presente, “Saber para prever e prever para poder”.
Comte via a consolidação do sistema capitalista como sendo algo natural ao desenvolvimento das sociedades. Esse novo sistema, bem como o abandono da teologia para explicação do mundo seriam parte do progresso das civilizações. Já, os problemas sociais ou desordens que surgiam eram considerados obstáculos que deveriam ser resolvidos para que o curso do progresso pudesse continuar.
Portanto, a Sociologia se colocaria, na visão deste autor, como uma ciência para solucionar a crise das sociedades daquela época. Entretanto, Comte não chegou a viabilizar a sua aplicação. Seu trabalho apenas iniciou uma discussão que deveria ser continuada, a fim de que a Sociologia viesse a alcançar um estágio de maturidade e aplicabilidade, ou seja, de ciência.


EXERCÍCIOS

1. (Unicentro 2011) Seu esquema sociológico era tipicamente positivista, ele acreditava que toda a vida humana tinha atravessado as mesmas fases históricas distintas e que, se a pessoa pudesse compreender esse progresso, poderia prescrever os remédios para os problemas de ordem social. Era um grande defensor da moderna sociedade capitalista. Essa descrição está relacionada com o perfil de:

a) Karl Marx. 
b) Max Weber. 
c) Auguste Comte. 
d) Émile Durkheim. 
e) Herbert Spencer. 
2. (Ifsp 2011) Segundo a Lei dos Três Estados, conceito fundamental na obra de Auguste Comte, a evolução das concepções intelectuais da humanidade percorreu três estados teóricos distintos e consecutivos, a saber: 

a) Mitológico, teológico e filosófico. 
b) Teológico, metafísico e científico. 
c) Metafísico, abstrato e positivo. 
d) Fetichista, teológico e positivo. 
e) Mitológico, filosófico e científico
3. (Unicentro 2011) Para Augusto Comte, uma das funções da Sociologia ou Física Social era encontrar leis sociais que conduzissem o progresso da humanidade. Sobre os estágios do progresso social discutidos pelo autor, é correto afirmar: 
a) O estágio teológico nega a existência de apenas uma explicação divina para os fenômenos naturais e sociais. 
b) O positivismo é o estágio superior do progresso social, porque se sustenta nos métodos científicos. 
c) O estágio mais simples é o mítico, seguido pelo teológico e pelo científico, que é o mais elaborado. 
d) O primeiro estágio do conhecimento é o metafísico, em que conceitos abstratos explicam o mundo. 
e) A Europa exemplificava uma sociedade em estado de desenvolvimento teológico. 
4. (Unioeste 2012) A filosofia da História – o primeiro tema da filosofia de Augusto Comte – foi sistematizada pelo próprio Comte na célebre “Lei dos Três Estados” e tinha o objetivo de mostrar por que o pensamento positivista deve imperar entre os homens. Sobre a “Lei do Três Estados” formulada por Comte, é correto afirmar que:

a) Augusto Comte demonstra com essa lei que todas as ciências e o espírito humano desenvolvem-se na seguinte ordem em três fases distintas ao longo da história: a positiva, a teológica e a metafísica. 
b) na “Lei dos Três Estados” a argumentação desempenha um papel de primeiro plano no estado teológico. O estado teológico, na sua visão, corresponde a uma etapa posterior ao estado positivo. 
c) o estado teológico, segundo está formulada na “Lei dos Três Estados”, não tem o poder de tornar a sociedade mais coesa e nenhum papel na fundamentação da vida moral. 
d) o estado positivista apresenta-se na “Lei dos Três Estados” como o momento em que a observação prevalece sobre a imaginação e a argumentação, e na busca de leis imutáveis nos fenômenos observáveis. 
e) para Comte, o estado metafísico não tem contato com o estado teológico, pois somente o estado metafísico procura soluções absolutas e universais para os problemas do homem.
5. (Unimontes 2012) Auguste Comte (1798-1857) foi um pensador positivista que propôs uma nova ciência social à Sociologia, que inicialmente foi chamada de Física Social. Sobre os princípios dessa ciência para esse autor, analise as afirmativas e assinale as alternativas, marcando V para verdadeiro ou F para falso. 
( ) No estágio positivo, a vida social será explicada pela filosofia, triunfando sobre todas as outras formas de pensamento. 
( ) A imposição da disciplina era, para os positivistas, uma função primordial da escola, pois ali os membros de uma sociedade aprenderiam, desde pequenos, a importância da obediência e da hierarquia. 
( ) A maturidade do espírito seria encontrada na ciência; por isso, na escola de inspiração positivista, os estudos literários e artísticos prevalecem sobre os científicos. 
( ) Defendeu a necessidade de substituir a educação europeia, ainda essencialmente teológica, metafísica e literária, por uma educação positiva, conforme o espírito da civilização moderna. 

A sequência correta é:
a) F,V,V.F. 
b) F,V,F,V. 
c) V,F,F,F. 
d) V,V,V,F.
e) V,V,V,V.


ÉMILE DURKHEIM E A SOCIOLOGIA FUNCIONALISTA

Continuando o trabalho iniciado por Comte, de fazer da Sociologia uma ciência, numa visão positiva, surge o sociólogo francês Émile Durkheim (1858-1917). Coube a ele dar à Sociologia uma reputação científica, torna-la uma disciplina acadêmica com rigor científico foi o seu principal trabalho. É a partir desse pensador que a Sociologia ganha um formato mais “técnico”, sabendo o que e como ela iria buscar na sociedade. Com métodos próprios, a Sociologia deixou de ser apenas uma idéia e ganhou “status” de ciência.
Durkheim presenciou algumas das mais importantes criações da sociedade moderna, como a invenção da eletricidade, do cinema, dos carros de passeio, entre outros. No seu tempo, havia um certo otimismo causado por essas invenções, mas Durkheim também percebia empencilhos nessa sociedade moderna: eram os problemas de ordem social. E uma das primeiras coisas que ele fez foi propor regras de observação e de procedimentos de investigação que fizessem com que a Sociologia fosse capaz de estudar os acontecimentos sociais de maneira semelhante ao que faz a Biologia quando olha para uma célula, por exemplo, vendo a sociedade como um organismo.
Falando em Biologia nota-se que o seu objeto de estudo é a vida em toda a sua diversidade de manifestações. As pesquisas dos fenômenos da natureza feitas pela Biologia são resultantes de várias observações e experimentações, manipuláveis ou não.
Para a Sociologia, manipular os acontecimentos sociais, ou repeti- los é muito difícil, para não dizer impossível. Por exemplo, como poderíamos reproduzir uma festa ou um movimento de greve “em laboratório” e sempre de igual modo? Seria impossível.

Os fatos sociais
Mas Durkheim acreditava que os acontecimentos sociais – como os crimes, os suícidios, a família, a escola, as leis – poderiam ser observados como coisas (objetos), pois assim, seria mais fácil de estudá-los.
Então ele propôs algumas das regras que identificam que tipo de fenômeno poderia ser estudado pela Sociologia. A esses fenômenos que poderiam ser estudados por uma ciência da sociedade ele denominou de fatos sociais.
E as características dos fatos sociais são: Coletivo ou geral (generalidade) – significa que o fenômeno é comum a todos os membros de um grupo; Exterior ao indivíduo (exterioridade) – ele acontece independente da vontade individual; Coercitivo (coercitividade) – os indivíduos são “obrigados” a seguir o comportamento estabelecido pelo grupo.

Para entender:
Exemplo de um fato social: o casamento
As pessoas pensam, em um dia, se casar. Salvo algumas exceções, pois não pensamos todos da mesma forma, certo? Mas se fizermos uma pesquisa, veremos que a grande maioria das pessoas deseja se unir a alguém. Então podemos dizer que o casamento é um fato coletivo ou geral, pois existe pela vontade da maioria de um grupo ou de uma sociedade.
Mas ainda que alguém não queira se casar, a grande maioria das pessoas vai continuar querendo, não é mesmo? - Isso significa que o fato social “casamento” é exterior ao indivíduo. O que quer dizer que ele se constitui não como resultado das intenções particulares dos indivíduos, mas como resposta às necessidades ou influências do grupo, da comunidade ou da sociedade.Não é verdade que os mais velhos ficam nos “incentivando” a casar? “Não vá ficar pra titia, heim!”, “Onde já se viu! Todo mundo, um dia, tem que se casar!”. Com certeza você já ouviu alguém dizendo isso.
Pois é. Esses dizeres nos levam a crer que o casamento também é coercitivo, pois nos vemos “obrigados” a fazer as mesmas coisas que fazem os demais membros do grupo ou da sociedade a que pertencemos.
Todo fato que reuna essas três características (generalização, exterioridade e coerção) é denominado social, segundo Durkheim, e pode ser estudado pela Sociologia. Quanto ao casamento, poderíamos estudar e descobrir, por exemplo, quais fatores influem na decisão das pessoas em se casarem e se divorciarem para depois se casarem novamente.

Atividade I
Não apenas com o casamento... Essas regras são da mesma maneira aplicadas ao trabalho, à escola, à moda, aos costumes do nosso povo, à língua, etc. Analise e reflita.Traga exemplos.

O que é fato social?
Faça o exercício de localizar os fatos sociais a partir das características que Durkheim percebeu neles. Recorte de jornais e revistas e traga para que a turma discuta se os fatos que você encontrou são sociais e podem ser estudados pela Sociologia.

ATIVIDADE II
Para Durkheim, a sociedade só pode ser entendida pela própria sociedade. As ações das pessoas não acontecem por acaso. A sociedade as influencia. Você concorda com isso?

O Suicídio = Fato Social
O que leva uma pessoa a se suicidar? Loucura?
Durkheim utilizou sua teoria para explicar, por exemplo, o suicídio. O que aparentemente seria um ato individual, para ele, estava ligado com aquilo que ocorria na sociedade. Esse pensador compreende a sociedade como um corpo organizado, um organismo. Assim como a Biologia que compreende o corpo humano e todas suas partes em pleno funcionamento, é de maneira semelhante que Durkheim entende a sociedade: com suas partes em operação e cumprindo suas funções. E, caso a família, a igreja, o Estado, a escola, o trabalho, os partidos políticos, etc., que são elementos da sociedade com funções específicas, venham a falhar no cumprimento delas, surge no corpo da sociedade aquilo que Durkheim chamou de anomia, ou seja, uma patologia (doença). Assim, como no corpo humano, se algo não funcionar bem, em “ordem”, significa que está doente.

Atividade III

Pesquisa de dados : Procure na internet, jornais, livros ou revistas, a origem dos suicídios atuais para discutirmos à luz do que pensa Durkheim. Verifique sua teoria analisando alguns fatos.
Qual a relação entre o corpo humano, estudado pela Biologia, e o corpo da sociedade, pensado por Durkheim?

O mundo moderno para Durkheim

A humanidade, para esse autor, está em constante evolução, que seria caracterizado pelo aumento dos papéis sociais ou funções. Para Durkheim, existem sociedades que se organizam sob a forma de um tipo de solidariedade[4] denominada mecânica e outras sociedades organizam-se sob a forma de solidariedade orgânica.
As sociedades organizadas sob a forma de solidariedade mecânica seriam aquelas nas quais existiriam poucos papéis sociais. Segundo Durkheim, nessas sociedades, os membros viveriam de maneira semelhante e, geralmente, ligados por crenças e sentimentos comuns, o que ele chama de consciência coletiva. Neste tipo de sociedade existiria pouco espaço para individualidades, pois qualquer tentativa de atitude “individualista” seria percebida e corrigida pelos demais membros.
A organização de algumas aldeias indígenas e comunidades rurais poderia servir de exemplo de como se dá a solidariedade mecânica: grupos de pessoas vivendo e trabalhando semelhantemente, ligados por suas crenças e valores. Nesses grupos, se alguém começasse a agir por conta própria, seria fácil perceber quem estaria “tumultuando” o modo de vida local.
Diferentemente das sociedades organizadas em solidariedade mecânica, nas sociedades de solidariedade orgânica – típicas do mundo moderno - existem muitos papéis sociais. Pense na quantidade de tarefas que pode haver nas áreas urbanas, nas cidades: são muitas as funções e atividades. Durkheim acreditava que mesmo com uma grande divisão e variedade de atividades, todas elas deveriam cooperar entre si. Por isso, deu o nome de orgânica (como se fosse um organismo vivo).
Mas, nessas sociedades, diante da existência de inúmeros papéis sociais, diminui o grau de controle da sociedade sobre cada pessoa. A individualidade sob menor controle passa a ser uma porta para que a pessoa pretenda aumentar, ainda mais, o seu raio de ação ou de posições dentro da sociedade.
Uma das maiores expressões da anomia no mundo moderno, segundo Durkheim, seria: o egoísmo das pessoas. E a causa desta atitude seria a fragilidade das normas e controles sobre a individualidade, normas e controles que nas sociedades de solidariedade mecânica funcionam com maior eficácia.

Qual seria, então, a solução para o mundo moderno, segundo Durkheim?
Já que ele compara a sociedade com um corpo, deve haver algo nela que não está cumprindo sua função e gerando a patologia (a anomia, a doença). O corpo precisa de diagnóstico e remédio. Segundo ele, a Sociologia teria esse papel, ou seja, o de encontrar as “partes” da sociedade que estão produzindo fatos sociais patológicos e apontar para a solução do problema. Durkheim chegou a fazer para as escolas francesas, propostas de valores tais como ‘o respeito da razão, da ciência, das idéias e sentimentos em que se baseia a moral democrática, visando contribuir à restauração da ordem social naquela sociedade.


MAX WEBER E SOCILOGIA COMPREENSIVA

O pensamento deste sociólogo Alemão segue diretrizes diferentes das dos dois autores que vimos anteriormente. Max Weber (1864-1920), ao contrário de Durkheim e Comte, acreditou na possibilidade da interpretação da sociedade partindo não dos fatos sociais já consolidados e suas características externas (leis, instituições, normas, regras, etc), ele propôs começar pelo indivíduo que nela vive, ou melhor, pela verificação das “intenções”, “motivações”, “valores” e “expectativas” que orientam as ações do indivíduo na sociedade. Sua proposta é a de que os indivíduos podem conviver, relacionar-se e até mesmo constituir juntos algumas instituições (como a família, a igreja, a justiça), exatamente porque quando agem eles o fazem partilhando, comungando uma pauta bem parecida de valores, motivações e expectativas quanto aos objetivos e resultados de suas ações. E mais, seriam as ações recíprocas (repetidas e “combinadas”) dos indivíduos que permitiriam a constituição daquelas formas duráveis (Estado, Igreja, casamento, etc.) de organização social.
Weber desenvolve a teoria da Sociologia Compreensiva, ou seja, uma teoria que vai entender a sociedade a partir da compreensão dos ‘motivos’ visados subjetivamente pelas ações dos indivíduos.
Uma crítica de Weber aos positivistas, entre os quais se encontrariam Comte e Durkheim, deve-se ao fato de que eles pretendiam fazer da Sociologia uma ciência positiva, isto é, baseada nos mesmos métodos de investigação das ciências naturais. Segundo Weber, as ciências naturais (Biologia, Física, por exemplo) conseguiriam explicar aquilo que estudam (a natureza) em termos de descobrir e revelar relações causais diretas e exclusivas, que permitiriam a formulação de leis de funcionamento de seus eventos, como as leis químicas e físicas que explicam o fenômeno da chuva. Mas a ciência social não poderia fazer exatamente o mesmo. Segundo Weber, não haveria como garantir que uma ação ou fenômeno social ocorreria sempre de determinada forma, como resposta direta a esta ou aquela causa exclusiva. No caso das Ciências Humanas, isso ocorre porque o ser humano possui “subjetividade”, que aparece na sua ação na forma de valores, motivações, intenções, interesses e expectativas.
Embora esses elementos que compõem a subjetividade humana sejam produtos culturais, quer dizer, produtos comuns acolhidos e assumidos coletivamente pelos membros da sociedade, ou do grupo, ainda assim se vê que os indivíduos vivenciam esses valores, motivações e expectativas de modos particulares. Às vezes com aceitação e reprodução dos valores e normas propostas pela cultura comum do grupo; outras vezes, com questionamentos e reelaboração dessas indicações e até rejeição das mesmas.
Decorre dessa característica (de certa autonomia, criatividade e inventividade do ser humano diante das obrigações e constrangimentos da sociedade) a dificuldade de se definir leis de funcionamento da ação social que sejam definitivas e precisas.
Por isso, o que a Sociologia poderia fazer, seria desenvolver procedimentos de investigação que permitissem verificar que conjunto de “motivações”, valores e expectativas compartilhadas, estaria orientando a ação dos indivíduos envolvidos no fenômeno que se quer compreender. Tomando como exemplo eleições, seria possível prever, com algum acerto, como as pessoas votarão numa eleição, pesquisando sua “subjetividade”, ou seja, levantando qual é, naquela ocasião dada, o conjunto de valores, motivações, intenções e expectativas compartilhadas pelo grupo de eleitores em foco, e que servirão para orientar sua escolha eleitoral. Esses pressupostos estão por detrás das conhecidadas “pesquisas de intenção de voto”, bastante freqüentes em vésperas de eleições.
Segundo Weber, as pessoas podem atuar, em geral, mesclando quatro tipos básicos (tipos ideais) de ação social. São eles:
A ação racional com relação a fins:  o indivíduo age para obter um fim objetivo previamente definido. E para tanto, seleciona e faz uso dos meios necessários e mais adequados do ponto de vista da avaliação. O que se destaca, aqui, é o esforço em adequar, racionalmente, os fins e os meios de atingir o objetivo. Na ação de um político, por exemplo, podemos ver um foco: o de obter o cargo com o poder que deseja com fins que dependem do político, de seu caráter.

O que Weber pensa sobre a política: ele nos fala no livro Ciência e Política – Duas vocações (2002), que há dois tipos de políticos que por nós são eleitos:
a) Os políticos que exercem essa profissão por vocação, ou seja, os que têm o poder como meta para trabalhar arduamente em prol da sociedade que os elegeu. estes são os que vivem para a política.
b) E os que são políticos sem vocação, ou seja, que olham para a política como se fosse um “emprego” apenas. São aqueles que, uma vez eleitos, geralmente se esquecem dos compromissos sociais que assumiram, pouco fazem pelo social, trabalham apenas para manter-se no poder a fim de continuar ganhando o salário. Weber diz que estes são os que vivem da política.
A ação racional com relação a valores: ocorreria porque, muitas vezes, os fins últimos de ação respondem a convicções, ao apego fiel a certos valores (honra, justiça, honestidade...). Neste tipo, o sentido da ação está inscrito na própria conduta, nos valores que a motivaram e não na busca de algum resultado previa e racionalmente proposto. Por esse tipo de ação podemos pensar as religiões. Ninguém vai a uma igreja ou pertence a determinada religião, de livre vontade, se não acredita nos valores que lá são pregados. Certo?
A ação afetiva a pessoa age pelo afeto que possui por alguém ou algo. Uma serenata pode ser vista como uma ação afetiva para quem ama.
A ação social tradicional é um tipo de ação que nos leva a pensar na existência de um costume. O ato de tomar chimarrão ou pedir a benção dos pais na hora de dormir são ações que podem ser pensadas pela ação tradicional.
A idéia de Weber para se entender a sociedade é a seguinte: se quisermos compreender a instituição igreja, por exemplo, vamos ter que olhar os indivíduos que a compõem e suas ações. Provavelmente haverá um grupo significativo de pessoas que agem do mesmo modo, quer dizer, partilhando valores, desejos e expectativas quanto à religião, o que resultaria no que Weber chama de relação social.
A existência da relação social dos indivíduos, ou seja, uma combinação de ações que se orientam para objetivos parecidos, é que faz compreender o ‘porquê’ da existência do todo, como neste próprio exemplo da igreja. É assim que, as normas, as leis e as instituições são formas de relações sociais duráveis e consolidadas.
Os tipos de ação, para Weber, sempre serão construções do pensamento, isto é, suposições teóricas baseadas no conhecimento acumulado, que o sociólogo fará para se aproximar ao máximo daquilo que seria a ação real do indivíduo nas circunstâncias ou no grupo em que vive. Com esse instrumento, o sociólogo pode avaliar, na análise de um fenômeno, o que se repete, com que intensidade, e o que é novo ou singular, comparando-o com outros casos parecidos, já conhecidos e resumidos numa tipologia.
Por exemplo, se há alguém apaixonado que você conheça, qual seria o tipo ideal de ação desta pessoa? A afetiva! Assim sendo, seria “fácil” prever quais seriam as possíveis atitudes desta pessoa: mandar flores e presentes, querer que a hora passe logo para estar com ela(e), sonhar acordado e coisas do tipo. E assim poderíamos entender, em parte, como se forma a instituição família. Uma coisa liga a outra.
Outro exemplo. Pode ser que alguém perto de você nem pense em querer se apaixonar para não atrapalhar os estudos. Sua meta é a universidade e uma ótima profissão. Então, temos uma ação racional! Para esta pessoa nem adiantaria mandar flores ou “torpedos”, a opção por não manter um relacionamento afetivo poderia ser considerada uma ação racional com relação a um objetivo.

Quanto ao sistema capitalista e o mundo moderno:

O que pensa Weber?
Uma contribuição relevante de Weber, neste caso, é demonstrar que o mecanismo do modo de produção capitalista, no ocidente europeu, principalmente, contou com a existência, em alguns países, de um conjunto de valores de fundo religioso que ajudou a criar entre certos indivíduos, predisposições morais e motivações para se envolverem na produção e no comércio de tipo capitalista.
Na crença dos calvinistas, os homens já nasceriam predestinados à salvação ou ao inferno, embora não pudessem saber, exatamente, seu destino particular. Assim sendo, e para fugir da acusação de pecadores e desmerecedores do melhor destino, dedicavam-se a glorificar Deus por meio do trabalho e da busca do sucesso na profissão.
Com o passar dos tempos, essa idéia de que a predestinação e o sucesso profissional seriam indícios de salvação da alma foi perdendo força. Mas o interessante é que a ética estimuladora do trabalho disciplinado e da busca do sucesso nos negócios ganhou certa autonomia e continuou a existir independente da motivação religiosa.
Para Weber, ser capitalista é sinônimo de ser disciplinado no que se faz. Seria da grande dedicação ao trabalho que resultaria o sucesso e o enriquecimento. Herança da ética protestante, válida também para os trabalhadores.
Mas por que os católicos e as outras religiões orientais não tiveram parte nesta construção capitalista analisada por Weber?
Porque a ética católica privilegiava o discurso da pobreza, do desapego, reprovando a pura busca do lucro e da usura e não viam o sucesso no trabalho como indícios de salvação e nem como forma de glorificar a Deus, como faziam os calvinistas. Assim sendo, sem motivos divinos para dedicarem- se tanto ao trabalho, não fizeram parte da lista weberiana dos primeiros capitalistas.
Quanto às religiões do mundo oriental, a explicação seria de que essas tinham uma imagem de Deus como sendo parte do mundo secular, ao contrário da ética protestante ocidental que o concebia como estando fora do mundo e puro. Assim sendo, os orientais valorizavam o mundo, pois Deus estaria nele. O Budismo e o Confucionismo são exemplos do que falamos. E daí a idéia e a prática de não se viver apenas para o trabalho, mas sim de poder aproveitar tudo o que se ganha pelo trabalho com as coisas desta vida.
Em relação ao mundo moderno (científico), Weber demonstrava um certo pessimismo e não encontrava saída para os problemas culturais que nele surgiam, assim como para a “prisão” na qual o homem se encontrava por causa do sistema capitalista.
Antes da sociedade moderna, a religião era o que motivava a vida das pessoas e dava sentido para suas ações, inclusive ao trabalho. Mas com o pensamento científico tomando espaço como referencial de mundo, certos apegos culturais – crenças, formas de agir – vindos da religiosidade foram confrontados. O problema que Weber via era que a ciência não poderia ocupar por completo o lugar que a religião tinha ao dar sentido ao mundo.

Atividade
Se, em contextos históricos anteriores, o trabalho poderia ser motivado pela religião, como foi explicado anteriormente, e agora não é mais, devido à racionalização do mundo, por que, então, o homem se prende tanto ao trabalho? Porque o sistema capitalista – da produção industrial em série e da exploração da mão-de-obra – deixou o homem ocidental sem uma “válvula de escape”. Preso, agora ele vive do e para o trabalho.
No que difere o raciocínio de Weber em relação ao de Durkheim sobre a maneira de ver a sociedade? Justifique.
Como Durkheim e Weber nos auxiliam a compreender o sistema capitalista e o mundo moderno?


KARL MARX A CRÍTICA À SOCIEDADE CAPITALISTA

O alemão, filósofo e economista Karl Marx (1818–1883), foi o fundador do materialismo histórico. Foi o primeiro a empregar o termo “classe social”. Em suas obras, Marx sugeria uma ampla mudança na área política, social e econômica. Para ele, o capitalismo alienou o trabalhador dos meios de produção, pois este conhecia apenas parte desse processo; e o alienou da política, propondo que ele fosse representado por outros. Dessa forma um dos conceitos fundamentais na teoria marxista é  alienação.
  Marx foi um dos responsáveis, se não o maior deles, em promover uma discussão crítica da sociedade capitalista que se consolidava, bem como da origem dos problemas sociais que este tipo de organização social originou.
“A história de toda a sociedade até hoje", escreve Marx no Manifesto do Partido Comunista de 1848 (excetuando a história da comunidade primitiva, acrescentaria Engels mais tarde), "é a história de lutas de classes. Homem livre e escravo, patrício e plebeu, barão e servo, burguesia e trabalhadores, em suma, opressores e oprimidos, estiveram em constante antagonismo entre si, travaram uma luta ininterrupta, umas vezes oculta, aberta outras, uma luta que acabou sempre com uma transformação revolucionária de toda a sociedade ou com o declínio comum das classes em luta”.
Mas como assim, lutas de classe? Quais são elas? Nas sociedades de tipo capitalista a forma principal de conflito ocorre entre suas duas classes sociais fundamentais: a burguesia versus o proletariado.
Você lembra-se do que comentamos no início desta apostila, como foi que surgiu a chamada burguesia e por que ela ficou conhecida assim?
Pois bem, segundo Marx, a burguesia foi tendo acesso, a partir da atividade comercial à posse dos meios de produção, enriqueceu e também passou a fazer parte daqueles que controlavam o aparelho estatal, o que acabou, por fim funcionando, principalmente como uma espécie de “escritório burguês”. Com esse acesso ao poder do aparelho estatal, a burguesia foi capaz de usar sua influência sobre ele para ir criando leis que protegessem a propriedade privada (particular), condição indispensável para sua sobrevivência, além de usar o Estado para facilitar a difusão de sua ideologia[5] de classe, isto é, os seus valores de interpretação do mundo.
Enquanto isso, a classe assalariada (os proletários), sem os meios de produção e em desvantagem na capacidade de influência política na sociedade, transforma-se em parte fundamental no enriquecimento da burguesia, pois oferecia mão-de-obra para as fábricas, (as novas unidades de produção do mundo moderno).
Marx se empenhava em produzir escritos que ajudassem a classe proletária a organizar-se e assim sair de sua condição de alienação. Alienado, para Marx, seria o homem que não tem controle sobre o seu próprio trabalho, em termos de tempo e em termos daquilo que é produzido, ou seja, seria o indivíduo expropriado dos meios de produção, coisa que o capitalismo faz em larga escala, pois o tempo do trabalhador e o produto (a mercadoria) pertencem à burguesia, bem como a maior parte da riqueza gerada por meio do trabalho.
O objetivo do sistema capitalista, como modo de produção, é justamente a ampliação e a acumulação de riquezas nas mãos dos proprietários dos meios de produção. Mas de onde sai essa riqueza? Marx diria que é do trabalho do trabalhador.
Exemplo. Quantos sofás por mês um trabalhador pode fazer? Vamos imaginar que sejam 15 sofás, os quais multiplicados a um preço de venda de R$ 2.000,00 daria o total de R$ 30.000,00. E quanto ganha um trabalhador numa fábrica? Imagine que seja uns R$ 5.000,00, para sermos mais ou menos generosos.
Bem, os R$ 30.000,00 da venda dos sofás, menos o valor do salário do trabalhador, menos a matéria-prima e impostos (imaginemos R$ 5.000,00) resulta na acumulação de R$ 20.000,00 para o dono da fábrica.
Esse diferença Marx chama de mais-valia, pois é um excedente que sai da força de cada trabalhador. Veja, se os meios de produção pertencessem a ele, o seu salário seria de R$ 25.0000,00 e não apenas R$ 5.000,00.
Então podemos dizer que o trabalhador está sendo roubado? Não podemos dizer isso, pois o que aqui exemplificamos é conseqüência da existência da propriedade privada dos meios de produção nas mãos de uma classe, a burguesia.
Devemos partir do entendimento de que as coisas materiais fazem a sociedade acontecer. De outra maneira, seria dizer que tudo o que acontece na sociedade tem ligação com a economia e que ela se transforma na mesma medida em que as formas de produção também se transformam. Por exemplo, com a consolidação do sistema capitalista, toda a sociedade teve que organizar-se de acordo com os novos moldes econômicos.
Marx também via o homem como aquele que pode transformar a sociedade fazendo sua história, mas enfatiza que nem sempre ele o faz como deseja, pois as heranças da estrutura social influenciam-no. Assim sendo, não é unicamente o homem quem faz a história da sociedade, pois a história da sociedade também constrói o homem, numa relação recíproca.
As condições em que se encontram a sociedade vão dizer até que ponto o homem pode construir a sua história.
Por essa lógica podemos pensar que a classe dominante, a burguesia, tem maiores oportunidades de fazer sua história como deseja, pois tem o poder econômico e político nas mãos, ao contrário da classe proletária que, por causa da estrutura social, está desprovida de meios para tal transformação. Para modificar essa situação somente por intermédio de uma revolução, pois assim a classe trabalhadora pode assumir o controle dos meios de produção e tomar o poder político e econômico da burguesia.
Para Marx, a classe trabalhadora deveria organizar-se politicamente, isto é, conscientizar-se de sua condição de explorada e dominada por meio do trabalho (consciência de classe) e transformar a sociedade capitalista em socialista [6] por intermédio da revolução.
            Karl Marx foi influenciado pelas idéias de Hegel, denunciou as contradições sociais e propôs formas de superá-las. Marx escreveu junto com Engels “O manifesto do partido comunista”, primeira obra referente ao marxismo ou socialismo científico.
O socialismo científico era uma teoria política e social que previa a vitória dos trabalhadores sobre a burguesia. Para Marx, a sociedade e as estruturas que surgiriam dessa revolução seriam chamadas de comunismo, e o processo de transição do capitalismo para o comunismo seria chamado de socialismo.
O comunismo pode ser entendido como um sistema econômico, político e social que tem por finalidade a criação de uma sociedade sem classes dominantes, ou seja, tudo seria comum a todos, não haveria propriedade privada.

Atividade

a) Como a teoria de Marx nos ajuda a entender a sociedade contemporânea?
b) A pobreza no Brasil e no mundo pode ser pensada como sendo uma das conseqüências do sistema capitalista? Justifique.
c) No que Marx diferencia-se dos demais autores vistos até aqui?


O que é Senso Comum?
“(…) falsas certezas e convicções equivocadas sem a base de um conhecimento racional ou de uma adequada compreensão, sendo ditas pelas pessoas a todo instante sobre as mais diversas coisas. A característica principal é a de que o senso comum baseia-se no que está aparente, na aparência das coisas, como as coisas parecem ser.(…)” (Giglio, 2000 pag.3)
            O senso comum é caracterizado por opiniões subjetivas, individuais, generalizantes, ou seja, julgam-se coisas, ou fatos específicos como se fossem coisas ou fatos universais, sendo assim, consiste então em falsas certezas sem fundamentação científica. Ao contrário do senso comum, a atitude científica sobre as interpretações do comportamento humano e das relações sociais entre indivíduos é expressa nas ciências sociais (Sociologia, Filosofia, Psicologia, História etc.)
E, então, o que seria atitude científica em Sociologia especificamente? A atitude de, a partir da constatação de um problema social, observar os fatos e a realidade dos indivíduos e grupos, suas relações, formular uma hipótese de explicação e, ao final, pronunciar leis ou tendências de que um fato ocorre por um motivo ou por outro.
Vamos citar aqui o exemplo de um problema social que atinge milhares de pessoas: o desemprego. O desemprego é um problema social porque atinge vários indivíduos. A partir desta constatação, podemos formular a hipótese de que a política econômica de um governo promove o desemprego; em seguida passamos a observar a realidade com dados estatísticos em mãos, pesquisas com desempregados, para ver os motivos que os levaram ao desemprego, etc. ao término retomamos a hipótese e podemos verificar que a política macroeconômica tende a provocar o desemprego em massa em um país.

ATIVIDADE

A imaginação sociológica nos permite ver que muitos eventos que parecem dizer respeito somente ao indivíduo, na verdade refletem questões muito mais amplas. O divórcio, por exemplo pode ser um processo muito difícil para alguém que passa por ele – o que Mills chama de “problema pessoal” – mas o divórcio, assinala Mills, é também um problema público, numa sociedade como a atual Grã-Bretanha, onde mais de um terço de todos os casamentos termina dentro de dez anos. O desemprego, para usar outro exemplo, pode ser uma tragédia pessoal, para alguém despedido de um emprego e inapto para encontrar outro. Mesmo assim, isso vai bem além de uma questão geradora de uma aflição pessoal, se considerarmos que milhões de pessoas numa sociedade estão na mesma situação: é um assunto público expressando amplas tendências sociais.”  (Giddens, A. Sociologia, Porto Alegre: Artmed,2005).

Embora sejamos influenciados pelos contextos sociais em que nos encontramos, nenhum de nós tem o comportamento simplesmente modelado por esses contextos, possuímos, criamos, construímos nossa própria individualidade. É trabalho da sociologia investigar as conexões entre o que a sociedade faz de nós e o que fazemos de nós mesmos. As nossas atividades tanto estruturam e modelam como ao mesmo tempo são estruturadas por esse mundo social. O conceito de estrutura social é muito importante na Sociologia, ele se refere ao fato de que os contextos sociais de nossas vidas não se consistem apenas em conjuntos esporádicos de eventos ou ações, são constituídos ou uniformizados de formas distintas. Há regularidades nos modos como nos comportamos e nos relacionamentos que temos uns com os outros. Entretando a estrutura social não é como uma estrutura física, como um edifício que existe independentemente das ações humanas. As sociedades humanas estão sempre em processo de estruturação. Elas são reestruturadas a todo o momento pelos próprios blocos de construção que as compõe, os seres humanos. (Giddens, A. Sociologia, Porto Alegre: Artmed,2005).

A sociologia tem muitas implicações práticas para nossas vidas, primeiramente a Sociologia nos permite ver o mundo social a partir de outros pontos de vista que não o nosso. Se compreendemos  precisamente como os outros vivem, também adquirimos melhor entendimento de quais são os seus problemas. Políticas práticas que não são baseadas numa consciência bem informada dos modos de vida das pessoas afetadas por elas tem poucas chances de sucesso. Por exemplo, uma assistente social branca, operando numa comunidade predominantemente negra, não ganhará a confiança de seus membros sem desenvolver uma sensibilidade às diferenças na experiência social que separam brancos e negros. (Giddens, A. Sociologia, Porto Alegre: Artmed,2005).
“A sociologia pode nos fornecer auto-esclarecimento, uma maior autocompreensão. Quanto mais sabemos porque agimos como agimos e como se dá o completo funcionamento de nossa sociedade provavelmente seremos mais capazes de influenciar nossos próprios futuros. Não deveríamos ver a Sociologia como uma ciência que auxilia somente os que fazem políticas, ou seja, grupos poderosos, com o propósito de tomarem decisões informadas. Não se pode supor que os que estão no poder sempre levarão em consideração, em suas políticas os interesses dos menos poderosos ou menos privilegiados. Grupos de auto-esclarecimento podem frequentemente se beneficiar da pesquisa sociológica e responder de forma efetiva as políticas governamentais ou formar iniciativas políticas próprias”. (Giddens, A. Sociologia, Porto Alegre: Artmed,2005).

Quando começamos a estudar Sociologia pela primeira vez,  alguns e algumas de nós ficam confusos com a diversidade de abordagens que encontramos e muitas vezes questionamos de que nos serviria tais abordagens e conhecimentos. A Sociologia nunca foi uma disciplina em que há um conjunto de idéias que todos aceitam como válidas. Os sociólogos frequentemente discutem entre si sobre como abordar o estudo do comportamento humano e sobre como os resultados das pesquisas podem ser melhor interpretados. Por que deveria ser assim? A reposta está ligada a própria natureza da área. A Sociologia diz respeito as nossas vidas e ao nosso próprio comportamento, e estudar nós mesmos é o mais complexo e árduo trabalho que podemos realizar, afinal somos indíviduos, e como indivíduos possuímos características individuais, peculiares. (Giddens, A. Sociologia, Porto Alegre: Artmed,2005). Os dedos das mãos fazem parte de uma mesma “estrutura” certo? Mas ele são iguais?
Em uma coisa todos os sociólogos concordam, que a Sociologia é uma disciplina na qual deixamos de lado nossa visão pessoal do mundo para olhar mais cuidadosamente para as influências que moldam nossas vidas e as dos outros (as) .A Sociologia não é apenas um campo intelectual abstrato, mas tem implicações práticas mais importantes para as vidas das pessoas. Aprender a tornar-se um sociólogo não deveria ser um esforço acadêmico maçante, a melhor forma de se evitar isso é abordar o assunto pesquisado de um modo imaginativo e relacionar ideias e achados sociológicos a situações de nossas vidas. (Giddens, A. Sociologia, Porto Alegre: Artmed,2005).
Uma forma de fazer isso é estar consciente das diferenças entre os modos de vida, que nós, nas sociedades modernas, tomamos por normais e aqueles de outros grupos humanos. Ainda que os seres humanos tenham muito em comum, há muitas variações entre diferentes sociedades e culturas. A prática da sociologia envolve a habilidade de pensar imaginativamente e afastar-se de idéias preconcebidas sobre a vida social.A Sociologia nos fornece os meios de aumentar nossas sensibilidades culturais, permitindo que as políticas se baseiem em uma consciência de valores culturais divergentes. (Giddens, A. Sociologia, Porto Alegre: Artmed, 2005).
Para compreendermos a sociologia temos de estar conscientes de nós próprios como seres humanos entre outros seres humanos.Ao procurarmos ampliar a nossa compreensão dos processos humanos e sociais e adquirir uma base crescente de conhecimentos mais sólidos acerca desses processos, isto já constitui uma das tarefas fundamentais da Sociologia. Também neste âmbito as pessoas verificam que estão sujeitas a forças que as coagem. “Procuram compreendê-las para que com a ajuda desse conhecimento, possam adquirir um certo controle sobre o discurso cego dessas forças compulsivas, cujos efeitos são muitas vezes destruidores e destituídos de qualquer significado. O objetivo é orientar essas forças de modo a encontrar-lhes significados, tornando-as menos destruidoras de vidas e de recursos. Daqui decorre ser fundamental para o ensino da Sociologia e para sua prática de investigação, a aquisição de uma compreensão geral dessas forças e um aumento de conhecimentos seguros das mesmas, através de campos especializados de investigação.”

1 – Cite um exemplo da vida em sociedade e de como a Sociologia poderia explicá-lo:
2 – Cite uma das utilidades da Sociologia para a compreensão da vida dos indivíduos:
3 – Você é a favor de um ensino médio somente com a aprendizagem de conhecimentos técnicos ou também acha que se devem aprender os conhecimentos das áreas humanas? Justifique sua resposta.
4 – Procure em jornais e revistas ou na internet notícias que divulgam dados decorrentes de análises quantitativas e outras que se valem de análises qualitativas.Escolha uma notícia que lhe parece mais embasada(fundamentada, crível).
5 – Quais são os métodos de pesquisa utilizados nas pesquisas das ciências sociais? O que é decisivo para a garantia do sucesso em uma pesquisa?

EXERCÌCIOS:

1. (Ueg 2011) 



Algumas pessoas conseguem mais do que outras nas sociedades – mais dinheiro, mais prestígio, mais poder, mais vida, e tudo aquilo que os homens valorizam. Tais desigualdades criam divisões na sociedade – divisões com respeito a idade, sexo, riqueza, poder e outros recursos. Aqueles no topo dessas divisões querem manter sua vantagem e seu privilégio; aqueles no nível inferior querem mais e devem viver em um estado constante de raiva e frustração [...]. Assim, a desigualdade é uma máquina que produz tensão nas sociedades humanas. É a fonte de energia por trás dos movimentos sociais, protestos, tumultos e revoluções. As sociedades podem, por um período de tempo, abafar essas forças separatistas, mas, se as severas desigualdades persistem, a tensão e o conflito pontuarão e, às vezes, dominarão a vida social.

TURNER, Jonathan H. Sociologia: Conceitos e aplicações. São Paulo: Pearson, 2000. p. 111.
(Adaptado).

A observação da figura e a leitura do texto permitem inferir:
a) no plano social, a igualdade humana está explícita em dois setores bem definidos: na Justiça, segundo a qual todos são iguais perante a lei, e na educação, em que todos devem ter oportunidades iguais; essas práticas são vivenciadas pela sociedade brasileira.   
b) segundo Karl Marx, aqueles que possuem ou controlam os meios de produção têm poder, sendo capazes de manipular os símbolos culturais através da criação de ideologias que justifiquem seu poder e seus privilégios.   
c) a estratificação de classes existe quando renda, poder e prestígio são dados igualmente aos membros de uma sociedade, gerando, portanto, grupos culturais, comportamentais e organizacionais semelhantes.   
d) a estratificação, na visão de Karl Marx, mostra que a luta de classes não se polariza entre o ter e o não ter e envolve mais do que a ordem econômica.   
 
2. (Uel 2014)  A cidade desempenha papel fundamental no pensamento de Émile Durkheim, tanto por exprimir o desenvolvimento das formas de integração quanto por intensificar a divisão do trabalho social a ela ligada.
Com base nos conhecimentos acerca da divisão de trabalho social nesse autor, assinale a alternativa correta.
a) A crescente divisão do trabalho com o intercâmbio livre de funções no espaço urbano torna obsoleta a presença de instituições.   
b) A solidariedade orgânica é compatível com a sociedade de classes, pois a vida social necessita de trabalhos diferenciados.   
c) Ao criar seres indiferenciados socialmente, o “homem massa”, as cidades recriam a solidariedade mecânica em detrimento da solidariedade orgânica.   
d) O efeito principal da divisão do trabalho é o aumento da desintegração social em razão de trabalhos parcelares e independentes.   
e) O equilíbrio e a coesão social produzidos pela crescente divisão do trabalho decorrem das vontades e das consciências individuais.   
 
3. (Upe 2014)  Leia o texto a seguir:

Acordei pensando... Que não agimos apenas por nosso desejo Que sempre fazemos as coisas pensando em outros... Que nossas ações só existem em relação a nossa família, vizinhança, cidade Que essas ações, de espírito coletivo, geram solidariedade Que quanto mais amor e relações existirem, mais coletivas serão nossas ações Que os desejos ocultos e egoístas camuflam a infelicidade de quem é incapaz de pensar no coletivo.

Disponível em: http://manguevirtual.blogspot.com.br/search/label/POESIA

Acerca dos aspectos que definem o objeto de estudo sociológico contido no texto, assinale a alternativa INCORRETA.  
a) A coerção é uma característica importante para adaptar os indivíduos às regras da sociedade em que vivem.    
b) A educação dos indivíduos é uma forma utilizada pela sociedade para internalizar, nas pessoas, hábitos e costumes do grupo social.    
c) A ação individual é importante para a formação da coletividade, mas a vontade individual é fundamental para a constituição da solidariedade. Sem esta não existe sociedade.    
d) A generalidade é um aspecto importante nas ações coletivas, pois as regras e normas sociais são comuns a todos os membros de uma sociedade.    
e) As instituições sociais são responsáveis pela socialização e pelo controle das ações individuais. Elas ensinam os indivíduos a seguirem as regras sociais que lhes são exteriores.    
 
4. (Upe 2013)  A Sociologia nasce no século XIX com o objetivo de combater a visão de mundo predominante nesse período, defendendo o estudo da ação coletiva e social. Assim, o objeto de estudo da Sociologia é definido como um conjunto de relacionamentos, que os homens estabelecem entre si, na vida em sociedade, num determinado contexto histórico. Na tirinha a seguir, percebe-se um objeto de estudo da Sociologia, que representa o modo de pensar, sentir e agir de um grupo social.


Assinale a alternativa que contém a principal característica desse objeto de estudo.
a) Igualdade   
b) Individualismo   
c) Liberdade   
d) Coerção   
e) Solidariedade   
 
5. (Unioeste 2013)  O sociólogo francês Émile Durkheim (1858-1917), em sua obra As Regras do Método Sociológico, ocupou-se em estabelecer o objeto de estudo da sociologia. Entre as constatações de Durkheim, está a de que o fato social não pode ser definido pela sua generalidade no interior de uma sociedade. Nessa obra, Durkheim elabora um tratamento científico dos fatos sociais e cria uma base para a sociologia no interior de um conjunto coeso de disciplinas sociais, visando fornecer uma base racional e sistemática da sociedade civil.

Sobre o significado do fato social para Durkheim, é correto afirmar que
a) os fenômenos sociais, embora obviamente inexistentes sem os seres humanos, residem nos seres humanos como indivíduos, ou seja, os fatos sociais são os estados mentais ou emoções dos indivíduos.   
b) os fatos sociais, parecem, aos indivíduos, uma realidade que pode ser evitada, de maneira que se apresenta dependente de sua vontade. Nesse sentido, desobedecer a uma norma social não conduz o indivíduo a sanções punitivas.   
c) a proposição fundamental do método de Durkheim é a de que os fatos sociais devem ser tratados como coisas, ou seja, como objeto do conhecimento que a inteligência não penetra de forma natural, mas através da observação e da experimentação.   
d) Durkheim considera os fatos sociais como coisas materiais. Pode-se afirmar, portanto, que todo objeto de ciência é uma coisa material e deve ser abordado a partir do princípio de que o seu estudo deve ser abordado sem ignorar completamente o que são.   
e) os fatos sociais são semelhantes aos fatos psíquicos, pois apresentam um substrato semelhante e evoluem no mesmo meio, de maneira que dependem das mesmas condições.   
 
6. (Uel 2013)  Leia o texto a seguir.

Sentir-se muito angustiado com a ideia de perder seu celular ou de ser incapaz de ficar sem ele por mais de um dia é a origem da chamada “nomofobia”, contração de no mobile phobia, doença que afeta principalmente os viciados em redes sociais que não suportam ficar desconectados. Uma parte da população acha que, se não estiver conectada, perde alguma coisa. E se perdemos alguma coisa, ou se não podemos responder imediatamente, desenvolvemos formas de ansiedade ou nervosismo.

(Adaptado de: O medo de não ter o celular à disposição cria nova fobia. Disponível em: <exame.abril.com.br/estilo-de-vida/comportamento/noticias/o-medo-de-nao-ter-o-celular-a-disposicao-cria-nova-fobia>. Acesso em: 9 abr. 2012.)

Com base no texto e nos conhecimentos sobre socialização e instituições sociais, na perspectiva funcionalista de Durkheim, assinale a alternativa correta.
a) A nomofobia reduz a possibilidade de anomia social na medida em que aproxima o contato em tempo real dos indivíduos, fortalecendo a integração com a vida social.   
b) As interações sociais via tecnologias digitais são uma forma de solidariedade mecânica, pois os indivíduos uniformizam seus comportamentos.   
c) O que faz de uma rede social virtual uma instituição é o fato de exercer um poder coercitivo e ao mesmo tempo desejável sobre os indivíduos.   
d) O uso de interações sociais por recursos tecnológicos constitui um elemento moral a ser compreendido como fato social.   
e) Para a nomofobia ser considerada um fato social, faz-se necessário que esteja presente em uma diversidade de grupos sociais.   
 
7. (Ufu 2002)  Em um de seus estudos mais destacados na Sociologia, Émile Durkheim afirma:

Se, como tentamos estabelecer, a educação tem antes de tudo uma função coletiva, se tem por objetivo adaptar a criança ao meio social onde ela está destinada a viver, é impossível que a sociedade se desinteresse desse tipo de operação (...). É necessário que a educação assegure entre os cidadãos uma suficiente comunhão de ideias e sentimentos, sem a qual qualquer sociedade é impossível; e para que possa produzir esse resultado é também necessário que não seja totalmente abandonada ao arbítrio de particulares (...). Não é sequer admissível que a função do educador possa ser preenchida por alguém que não apresente garantias especiais, a respeito das quais só o Estado pode julgar. (...)
Mas, por outro lado, sem uma certa diversidade, toda cooperação seria impossível: a própria educação assegura a persistência dessa diversidade necessária, diversificando-se e especializando-se.

DURKHEIM, Émile. Educação e Sociologia. São Paulo: Melhoramentos, 1976, p. 90.

Analise as proposições abaixo e, a seguir, assinale a alternativa correta.

I. Para Durkheim a educação tem função coletiva, mas deve se submeter às leis da diversidade e da especialização do mercado executadas pela ação do Estado.
II. Durkheim define a educação como um fato social que, em caso de deterioração, poderia até contribuir para um estado de anomia da sociedade.
III. Durkheim vê nos conteúdos da educação uma espécie de cimento da estabilidade social que deve ser garantido pelo juízo institucional do Estado.
IV. Durkheim enfatiza que a educação não pode prescindir de um papel coletivo, sob a tutela estatal, como condição para manter a sociedade viável.
a) As alternativas I, II e IV são corretas.   
b) As alternativas I, II e III são corretas.   
c) As alternativas II, III e IV são corretas.   
d) As alternativas I, III e IV são corretas.   
 
8. (Uema 2014)  A história da cultura brasileira é pontuada pelo “jeitinho brasileiro” e pela cordialidade, frutos da colonização portuguesa. Sérgio Buarque sugere que nossa cultura tem algumas singularidades, tais como: aversão à impessoalidade, forte simpatia e rejeição ao formalismo nas relações sociais. Tais singularidades se refletem no ordenamento da sociedade expresso no fragmento da música Minha história de João do Vale e Raimundo Evangelista, que trata da educação como base da estratificação social na sociedade burguesa.

E quando era noitinha, a meninada ia brincar.
Vige como eu tinha inveja de ver Zezinho contar:
“o professor ralhou comigo,
porque eu não quis estudar” (bis)
Hoje todos são doutor,
E eu continuo um João Ninguém
Mas, quem nasce pra pataca
nunca pode ser vintém.
Ver meus amigos doutor basta pra mim sentir bem (bis)...

João do vale; Chico Evangelista. “Minha história”. In: álbum, João do Vale. Rio de Janeiro: Sony, 1981.

Conforme a contribuição de Karl Marx sobre a análise da sociedade capitalista, os conceitos sociológicos expressos nessa música são 
a) superestrutura, anomia social, racionalidade, alienação.    
b) ação social, infraestrutura, solidariedade orgânica, coesão social.    
c) divisão do trabalho, mais valia, solidariedade mecânica, burocracia.    
d) sansão social, relações de produção, organicismo, forças produtivas.    
e) ideologia, classe social, desigualdade social, relações sociais de trabalho.    
 
9. (Unioeste 2013)  O Manifesto do Partido Comunista, escrito por Marx e Engels no ponto de inflexão entre as reflexões de juventude e a obra de maturidade, sintetiza os resultados da concepção materialista da história alcançados pelos dois autores até 1848. A dinâmica do desenvolvimento histórico é então concebida como resultante do aprofundamento da tensão entre forças produtivas e relações de produção, que se expressaria através da luta política aberta.

Com base na concepção materialista da história defendida por Marx e Engels no Manifesto, selecione a alternativa correta.
a) A história das sociedades humanas até agora existentes tem sido o resultado do agravamento das contradições sociais que, uma vez maturadas, explode através da luta de classes.   
b) A história das sociedades humanas é o resultado dos desígnios da providência que atuam sobre a consciência dos homens e forjam os rumos do desenvolvimento social.   
c) A história das sociedades humanas é o resultado de acontecimentos fortuitos e casuais, independentes da vontade dos homens, que acabam moldando os rumos do desenvolvimento social.   
d) A história das sociedades humanas é o resultado inevitável do desenvolvimento tecnológico, que não só aumenta a produtividade do trabalho, como elimina o antagonismo entre as classes sociais.   
e) A história das sociedades humanas é o resultado da ação desempenhada pelos grandes personagens que, através de sua emulação moral, guiam as massas no sentido das transformações sociais pacíficas.   
 
10. (Unimontes 2013)  Para Karl Marx, sociólogo alemão (1818-1883), as crises no sistema capitalista devem-se à expansão da produção para além daquilo que o mercado pode absorver dentro de uma taxa de lucro considerada satisfatória. Havendo uma descida da taxa de lucro, o investimento diminui, parte da força de trabalho fica desempregada, o que, por sua vez, irá diminuir o poder de compra do consumidor, produzindo nova descida na taxa de lucro etc. A retomada da expansão e o início de um novo ciclo ocorrem quando empresas sobreviventes conquistam as seções do mercado que ficaram livres. São proposições relativas à teoria desse autor, EXCETO
a) A crise tem o efeito de restabelecer o equilíbrio de rendimentos e de recompensas entre o trabalho assalariado e o proprietário de capital, consolidando o sistema de produção capitalista.   
b) As crises não equivalem a uma quebra do sistema capitalista, mas fazem parte de um mecanismo regulador que permite ao sistema dominar as flutuações periódicas a que está sujeito.   
c) As crises são soluções momentâneas e necessárias das contradições existentes, que promovem e restabelecem, durante certo tempo, o equilíbrio perturbado.   
d) O capitalismo organiza-se unicamente em função da expansão do capital, o que requer o desenvolvimento das forças produtivas e busca competitiva do lucro e, por isso, está sujeito a crises endêmicas.   

11. (Ufpa 2012)  Um das importantes preocupações sociológicas é a questão a respeito dos fatores que tornam possível a existência e a evolução das sociedades. A ideia de “conflito” assume uma posição contraditória, por este ser considerado ora como “motor das transformações”, ora como fator que “deixa a sociedade estagnada” e impede a evolução. Em relação às consequências do conflito para sociedade, é CORRETO afirmar:
a) Para Karl Marx, o regime capitalista é capaz de produzir cada vez mais. A despeito desse aumento das riquezas, a miséria continua sendo a sorte da maioria. Essa contradição irá gerar conflitos que, mais cedo ou mais tarde, desencadearão um processo de reforma da sociedade que a reorganizará com critérios científicos.   
b) Para Karl Marx, a supressão das contradições de classe deve levar logicamente ao desaparecimento do Estado, pois este é um dos subprodutos ou a expressão dos conflitos sociais.   
c) O marxismo exclui a possibilidade de haver um paralelismo entre o desenvolvimento das forças produtivas, a transformação das relações de produção, a intensificação da luta de classes e dos conflitos que marcam a marcha para a revolução.   
d) Durkheim diz que os conflitos entre trabalhadores e empresários demonstram a falta de organização ou a anomia parcial da sociedade moderna, que deve ser corrigida com uma revolução do proletariado, que restaure o consenso social.   
e) Durkheim acredita que a forma como os indivíduos se organizam socialmente para produzir determina a sua visão de mundo. Ou seja, ele acredita que não é a consciência dos homens que determina a realidade, mas, ao contrário, é a realidade social e principalmente seus conflitos que determina a consciência coletiva.   
 
12. (Interbits 2012)  Leia.

Tá vendo aquele edifício, moço?
Ajudei a levantar.
Foi um tempo de aflição,

eram quatro condução,
duas pra ir, duas pra voltar.
Hoje depois dele pronto,

olho pra cima e fico tonto,
mas me vem um cidadão
e me diz desconfiado:
"Tu tá aí admirado? Ou tá querendo roubar?"
Meu domingo tá perdido,

vou pra casa entristecido,
dá vontade de beber.
E pra aumentar meu tédio,

eu nem posso olhar pro prédio
que eu ajudei a fazer.

(...)

RAMALHO, Zé. Composição: Lucio Barbosa. Cidadão. Frevoador. Columbia (Sony Music) [CD], 1992.

A música Cidadão, interpretada por Zé Ramalho, apresenta uma situação na qual um trabalhador conta sobre a sua experiência de ser impedida de contemplar o fruto do seu trabalho. Qual conceito sociológico é o mais adequado para compreendermos essa relação entre trabalhador e mercadoria?
a) Fetichismo da mercadoria.   
b) Fato social.   
c) Alienação.   
d) Socialização.   
e) Ação social.   
 
13. (Interbits 2012)  Segundo Karl Marx, a sociedade capitalista conhece basicamente duas classes: a burguesia e o proletariado. Na abordagem marxista, como se dá a relação entre elas?

a) As duas classes estão em harmonia. Ambas se complementam em um processo produtivo: os burgueses oferecem empregos, enquanto os proletários trabalham contribuindo para o progresso da civilização.   
b) Elas estão em constantes disputas políticas. Tais disputas aparecem, no Brasil, na polarização entre PT e PSDB, sendo o PT o partido dos trabalhadores (proletários) e o PSDB o partido dos empresários (burgueses). A alternância entre esses dois partidos no poder é o que definirá o modelo econômico da nação.   
c) Essas duas classes estão em luta. Enquanto os burgueses tentam exercer sua dominação sobre o proletariado, estes procuram resistir e fugir dessa relação de opressão.   
d) As duas classes estão em relação de solidariedade orgânica. O capitalismo surge em uma sociedade moderna, marcada por uma complexa divisão do trabalho. Longe de produzir desagregações, essa complexidade favorece a coesão social devido à dependência mútua de todos os indivíduos.    
e) As classes sociais estão em processo de fusão. Devido à mundialização do capital, não haverá mais classes sociais. Todos serão híbridos de empreendedores e trabalhadores, em uma sociedade regulada pelo mercado.    
 
14. (Interbits 2012)  “A ideologia, como consciência invertida, teria o papel de amparar o domínio de uma classe ou grupo social sobre as demais. Por meio da ideologia, essa classe ou grupo social se faria hegemônica, como que convencendo as outras de que seus interesses e valores seriam universais”.

RICUPERO, Bernardo. Sete lições sobre as interpretações do Brasil. São Paulo: Alameda, 2008, p. 32-33.

A partir da definição acima e dos seus conhecimentos sobre classe social no sentido pensado por Karl Marx, quais das frases abaixo podem ser consideradas de cunho ideológico?

I. “Todo homem tem seu preço”.
II. “Antes tarde do que nunca”.
III. “Quem não trabalha também não deve comer”.
IV. “Diga-me com quem andas e eu te direi quem és”.
V. “Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”.

a) Somente I e II.   
b) Somente I e III.   
c) Somente III e IV.   
d) Somente IV e V.   
e) Somente I, II e III.   
 
15. (Uel 2015)  Leia o texto a seguir.

Lembra-te de que tempo é dinheiro; aquele que pode ganhar dez xelins por dia por seu trabalho e vai passear, ou fica vadiando metade do dia, embora não despenda mais do que seis pence durante seu divertimento ou vadiação, não deve computar apenas essa despesa; gastou, na realidade, ou melhor, jogou fora, cinco xelins a mais.
WEBER, M. A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. São Paulo: Pioneira; Brasília: UNB, 1981, p.29.

O conselho de Benjamin Franklin é analisado por Max Weber (1864-1920) na obra A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo.
Com base nessa obra, assinale a alternativa que apresenta, corretamente, a compreensão weberiana sobre o sentido da conduta do indivíduo na formação do capitalismo moderno ocidental.
a) Tradicionalidade.   
b) Racionalidade.   
c) Funcionalidade.   
d) Utilitariedade.   
e) Organicidade.   

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Leia o texto a seguir e responda à(s) próxima(s) questão(ões).

O desenvolvimento da civilização e de seus modos de produção fez aumentar o poder bélico entre os homens, generalizando no planeta a atitude de permanente violência. No mundo contemporâneo, a formação dos Estados nacionais fez dos exércitos instituições de defesa de fronteiras e fator estratégico de permanente disputa entre nações. Nos armamentos militares se concentra o grande potencial de destruição da humanidade. Cada Estado, em nome da autodefesa e dos interesses do cidadão comum, desenvolve mecanismos de controle cada vez mais potentes e ostensivos. O uso da força pelo Estado transforma-se em recurso cotidianamente utilizado no combate à violência e à criminalidade.

Adaptado de: COSTA, C. Sociologia: introdução à ciência da sociedade. São Paulo: Moderna, 1997. p.283-285.


16. (Uel 2015)  Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, a concepção sociológica weberiana sobre o uso da força pelo Estado contemporâneo.
a) A força militar contemporânea, por seu poder de persuasão e atributos personalísticos, é um agente exemplar do tipo de dominação carismática.   
b) Na sociedade contemporânea, o poder compartilhado entre cidadãos e Estado, para o uso da força, define a dominação legítima do tipo racional-legal.   
c) O Estado contemporâneo caracteriza-se pela fragmentação do poder de força, conforme o tipo ideal de dominação carismática, a exemplo do patriarca.   
d) O Estado contemporâneo define-se pelo direito de monopólio do uso da força, baseado na dominação legítima do tipo racional-legal.   
e) O tipo ideal de dominação tradicional é exercido com base na legitimidade e na legalidade do poder de uso democrático da força pelo Estado contemporâneo.   
 
17. (Uel 2014)  Leia o texto a seguir.

Antigamente nem em sonho existia tantas pontes sobre os rios, nem asfalto nas estradas. Mas hoje em dia tudo é muito diferente com o progresso nossa gente nem sequer faz uma ideia.
Tenho saudade de rever nas currutelas as mocinhas nas janelas acenando uma flor. Por tudo isso eu lamento e confesso que a marcha do progresso é a minha grande dor. Cada jamanta que eu vejo carregada transportando uma boiada me aperta o coração. E quando olho minha traia pendurada de tristeza dou risada pra não chorar de paixão.

(Adaptado de: Nonô Basílio e Índio Vago. Mágoa de Boiadeiro.)

O texto aproxima-se sociologicamente da leitura teórica de
a) Comte, que defende a necessidade de formas tradicionais de vida em detrimento da desilusão do progresso.   
b) Durkheim, que analisa o progresso como elemento desagregador da vida social ao provocar o enfraquecimento das instituições.   
c) Marx, que condena o desenvolvimento das forças produtivas por seus efeitos alienantes sobre o homem.   
d) Spencer, que tem uma leitura romântica da sociedade e vê o passado como mais rico culturalmente.   
e) Weber, para quem a modernização e a racionalização é acompanhada pelo desencantamento do mundo.   
 
18. (Interbits 2014)  Segundo Max Weber, podem existir 4 tipos puros de ação social. Relacione a primeira coluna com a segunda, de acordo com o tipo de ação social mais adequado a cada uma das situações:

( 1 ) Homem que uma vez por semana vai à missa.
(     ) Ação racional com relação a valores.
( 2 ) Mulher que deixa o marido por ele tê-la traído.
(     ) Ação racional com relação a fins.
( 3 ) Mulher correndo por 2 horas para poder emagrecer.
(     ) Ação tradicional.
( 4 ) Homem comendo comida vegetariana por respeito aos animais.
(     ) Ação afetiva.

  
19. (Interbits 2014)  A sociologia desenvolvida por Max Weber é tradicionalmente conhecida como sociologia compreensiva. Assinale a alternativa correta a respeito da sociologia weberiana:
a) Para Max Weber, os fatos sociais devem ser tratados como coisas.   
b) Para Weber, a ação compreensiva é a ação com sentido, sendo analisada mediante tipos puros ou ideais.   
c) Segundo Weber, a sociologia deve estar comprometida com a transformação social resultante da luta de classes.   
d) Weber está interessado em compreender o desenvolvimento do capitalismo moderno. Por isso ele desenvolve a noção de solidariedade orgânica e mecânica.   
e) Weber pouco se interessou pelo fenômeno da Religião. Segundo ele, a religião é o ópio do povo e, por isso, deve ser substituída pela razão como forma de compreender o mundo.   
 
20. (Unioeste 2013)  A Sociologia de Max Weber é considerada uma ciência compreensiva e explicativa. Na sua concepção, compete ao sociólogo compreender e interpretar a ação dos indivíduos, assim como os valores pelos quais os indivíduos compreendem suas próprias intenções pela introspecção ou pela interpretação da conduta de outros indivíduos.

Sobre a sociologia compreensiva de Max Weber, é correto afirmar que
a) segundo o método da sociologia compreensiva de Max Weber, há uma ênfase metodológica sobre a sociedade como a unidade inicial da explicação para se chegar a significados objetivos de ação social.    
b) na sociologia compreensiva de Max Weber, a primeira tarefa da sociologia é reformar a sociedade ou gerar algum tipo de teoria revolucionária. Weber herda efetivamente um ponto de vista sociológico compreensivo imputado à escola marxista.   
c) para Max Weber, a sociologia está voltada unicamente para a compreensão dos fenômenos sociais. Na sociologia compreensiva, o homem não consegue compreender as intenções dos outros em termos de suas intenções professadas.   
d) no método compreensivo de Weber, os fenômenos sociais são considerados como a simples expressão de causas exteriores que se impõem aos indivíduos. Weber define a sociologia compreensiva em termos de fatos sociais e não em termos de atividade ou ação.   
e) Max Weber entende por sociologia compreensiva uma ciência que se propõe a compreender a atividade social e, deste modo, explicar causalmente seu desenrolar e seus efeitos. Para explicar o mundo social, importa compreender também a ação dos seres humanos do ponto de vista do sentido e dos valores.   
 
21. (Interbits 2012)  Max Weber e Karl Marx foram sociólogos que procuraram compreender as transformações na sociedade moderna. Entretanto, em muitos pontos, eles apresentam ideias bastante divergentes. Assinale se as frases a seguir dizem respeito à sociologia de Marx ou à sociologia de Weber.

MARX
WEBER
1. As transformações na sociedade são decorrentes, principalmente, das alterações no modo de produção da vida material.
2. As transformações na sociedade possuem diversas causas.
3. A estratificação social é influenciada por diferenças de classe, status e partido.
4. As classes sociais decorrem das relações de produção e da divisão do trabalho.
5. O Estado é definido pela posse do monopólio do uso legítimo da força.
6. O Estado está relacionado com a superestrutura da sociedade.
7.  A luta de classes é o motor da história.



Gabarito: 

1: [B]

2:  [B]

3:  [C]

4:  [D]

5:  [C]

6:  [D]

7:  [C]

8:  [E]

9:  [A]

10:  [A]

11:  [B]

12:  [C]

13:  [C]

14:  [B]

15:  [B]

16:  [D]

17:  [E]

18:  ( 1 ) Ação tradicional. Ir à missa corresponde, de forma geral, a uma ação ancorada na tradição religiosa.
( 2 ) Ação afetiva. São as emoções que levam a mulher a ter esse tipo de ação.
( 3 ) Ação racional com relação a fins. A corrida está relacionada a um objetivo: o emagrecimento.
( 4 ) Ação racional com relação a valores. A decisão de não comer animais é racional, e tem como princípio o respeito a um valor moral.  

19:  [B]

20:  [E]

21:  Marx: 1, 4, 6 e 7. e  Weber: 2, 3 e 5.













NORBERT ELIAS  E PIERRE  BOURDIEU: a sociedade dos indivíduos

Segundo o alemão Norbert Elias (1897-1990), em seu livro A sociedade dos indivíduos, é somente nas relações e por meio delas que “os indivíduos podem possuir características humanas, como falar, pensar e amar”.
Só é possível trabalhar, estudar e divertir-se em uma sociedade que tenha história, cultura e educação, e não isoladamente.

O conceito de configuração

No grupo social não há separação entre indivíduo e sociedade. Tudo deve ser entendido de acordo                                              com o contexto; caso contrário, perde-se a dinâmica da realidade e o poder de entendimento.
Para superar a dicotomia entre indivíduo e sociedade, Elias formulou o conceito de configuração, que pode ser aplicado a pequenos grupos ou a sociedades inteiras, constituídas de pessoas que se relacionam.
Para realçar a interdependência entre as pessoas, Elias utiliza a expressão sociedade dos indivíduos, que destaca a unidade, e não a divisão.

O francês Pierre Bourdieu (1930-2002) destaca a articulação entre as condições de existência do indivíduo  e suas formas de ação e percepção, dentro ou fora dos grupos.
Ele retoma o conceito de habitus, formulado por Elias.

O conceito de habitus

Para Elias, habitus é um saber incorporado à vida em sociedade.
Para Bourdieu, é a relação entre as práticas cotidianas – a vida concreta dos indivíduos – e as condições de classe de determinada sociedade.
Segundo Bourdieu:
- o indivíduo constrói um habitus próprio à medida que se relaciona com pessoas de outros universos;
- os conceitos e valores dos indivíduos têm uma relação com o lugar que ocupam na sociedade;
- não há igualdade de posições, pois se vive numa sociedade desigual.


EXERCÌCIOS

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Leia a tirinha a seguir e responda à(s) questão(ões).



1. (Uel)  Leia o texto a seguir.

Moldado pelo contexto social e cultural em que o ator se insere, o corpo é o vetor semântico pelo qual a evidência da relação com o mundo é construída: atividades perceptivas, mas também expressão dos sentimentos, cerimoniais dos ritos de interação, conjunto de gestos e mímicas, produção da aparência, jogos sutis da sedução, técnicas do corpo, exercícios físicos, relação com a cor, com o sofrimento etc.

LE BRETON, D. A sociologia do corpo. Petrópolis: Vozes, 2007. p. 7.


A tirinha e o texto evocam referências do lugar socialmente ocupado pelo corpo. O físico e a estética corporal são temas da vida cotidiana na sociedade moderna e, enquanto tais, são suscetíveis de ressignificações, como também de uma multiplicidade de representações.

Com base nos conhecimentos contemporâneos sobre o corpo e as corporalidades, produzidos pelas ciências sociais, considere as afirmativas a seguir.

I. Os usos que homens e mulheres fazem de seu físico e a construção dos julgamentos sobre as aparências dependem de um conjunto de sistemas simbólicos, cujas significações fundamentam a existência individual e coletiva.
II. O processo de socialização da experiência corporal é uma condição social de homens e mulheres que se conclui na adolescência, sendo este um momento final da formação identitária.
III. Nos anos 1960, a emergência dos novos sujeitos sociais produziu fortes críticas à importância social atribuída aos corpos e representou um retorno às lutas materialistas, preocupadas com a estrutura econômica.
IV. Na sociedade atual, o poder é exercido por meio da produção de corpos dóceis, configurando, assim, as sociedades disciplinares, tanto na dimensão econômica quanto na política.

Assinale a alternativa correta.
a) Somente as afirmativas I e II são corretas.   
b) Somente as afirmativas I e IV são corretas.   
c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.   
d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.   
e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.   
  
2. (Uem-pas)  Para o sociólogo francês Pierre Bourdieu (1930-2002), os agentes sociais estão inseridos na estrutura da sociedade, ocupando posições hierárquicas que dependem, em grande parte, das características culturais, sociais e comportamentais de cada indivíduo. Por isso, cada agente formula estratégias para se inserir na sociedade e para a manutenção de sua posição na hierarquia social que contribuem tanto para a conservação da estrutura social como para a sua transformação. Para Bourdieu, “pode-se genericamente verificar que quanto mais as pessoas ocupam uma posição favorecida na estrutura, mais elas tendem a conservar ao mesmo tempo a estrutura e a sua posição, nos limites, no entanto, de suas disposições (isto é, de sua trajetória social, de sua origem social) que são mais ou menos apropriadas à sua posição”.

(BOURDIEU, P. Os usos sociais da ciência: por uma sociologia clínica do campo científico. São Paulo: UNESP, 2004, p. 29).


Considerando o trecho citado e os estudos sociológicos sobre indivíduo e sociedade, assinale o que for correto.
01) O pensamento sociológico ensina que as relações sociais são diferentes das relações políticas, pois na sociedade não há disputas e nem conflitos.   
02) A sociologia se dedica ao estudo das estruturas sociais, e não ao dos indivíduos, porque entende que as pessoas não atuam com racionalidade.   
04) De acordo com Bourdieu, no trecho citado, as pessoas agem orientadas por disposições de classe e pela posição que ocupam na estrutura social.   
08) Ao estudar as relações sociais, Bourdieu afirma que o esforço e a dedicação individual são a medida do sucesso pessoal que alguém pode ter em sua vida.   
16) As relações entre as trajetórias individuais e as estruturas sociais permitem à sociologia estudar as mudanças e as permanências na ordem social.   
  
3. (Enem)  Não estou mais pensando como costumava pensar. Percebo isso de modo mais acentuado quando estou lendo. Mergulhar num livro, ou num longo artigo, costumava ser fácil. Isso raramente ocorre atualmente. Agora minha atenção começa a divagar depois de duas ou três páginas. Creio que sei o que está acontecendo. Por mais de uma década venho passando mais tempo on-line, procurando e surfando e algumas vezes acrescentando informação à grande biblioteca da internet. A internet tem sido uma dádiva para um escritor como eu. Pesquisas que antes exigiam dias de procura em jornais ou na biblioteca agora podem ser feitas em minutos. Como disse o teórico da comunicação Marshall McLuhan nos anos 60, a mídia não é apenas um canal passivo para o tráfego de informação. Ela fornece a matéria, mas também molda o processo de pensamento. E o que a net parece fazer é pulverizar minha capacidade de concentração e contemplação.

CARR. N. “Is Google making us stupid?”. Disponível em: www.theatlantic.com.
Acesso em: 17 fev. 2013 (adaptado).


Em relação à internet, a perspectiva defendida pelo autor ressalta um paradoxo que se caracteriza por
a) associar uma experiência superficial à abundância de informações.   
b) condicionar uma capacidade individual à desorganização da rede.   
c) agregar uma tendência contemporânea à aceleração do tempo.    
d) aproximar uma mídia inovadora à passividade da recepção.   
e) equiparar uma ferramenta digital à tecnologia analógica.   
  
4. (Enem)  Diante de ameaças surgidas com a engenharia genética de alimentos, vários grupos da sociedade civil conceberam o chamado “princípio da precaução”. O fundamento desse princípio é: quando uma tecnologia ou produto comporta alguma ameaça à saúde ou ao ambiente, ainda que não se possa avaliar a natureza precisa ou a magnitude do dano que venha a ser causado por eles, deve-se evitá-los ou deixá-los de quarentena para maiores estudos e avaliações antes de sua liberação.

SEVCENKO, N. A corrida para o século XXI: no loop da montanha-russa. São Paulo: Cia. das Letras, 2001 (adaptado).


O texto expõe uma tendência representativa do pensamento social contemporâneo, na qual o desenvolvimento de mecanismos de acautelamento ou administração de riscos tem como objetivo
a) priorizar os interesses econômicos em relação aos seres humanos e à natureza.   
b) negar a perspectiva científica e suas conquistas por causa de riscos ecológicos.   
c) instituir o diálogo público sobre mudanças tecnológicas e suas consequências.   
d) combater a introdução de tecnologias para travar o curso das mudanças sociais.   
e) romper o equilíbrio entre benefícios e riscos do avanço tecnológico e científico.   
  
5. (Interbits)  Mas o significado de tal experiência para o desenvolvimento pessoal de Mozart – e portanto para seu desenvolvimento como músico ou, colocando de maneira diferente, para o desenvolvimento de sua música – não pode ser percebido de maneira realista e convincente caso se descreva apenas o destino da pessoa individual, sem apresentar também um modelo das estruturas sociais da época, especialmente quando levam a diferenças de poder. [...] Só então, em suma, é possível entender as coerções inevitáveis que agiam sobre Mozart e como ele se comportou em relação a elas.

ELIAS, Norbert. Mozart, sociologia de um gênio. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2005, p.19.

O texto acima faz uma introdução a uma análise sociológica de Wolfgang Amadeus Mozart, importante compositor austríaco do século XVIII. A partir do trecho em questão e dos seus conhecimentos sociológicos, julgue as afirmativas a seguir.
(     )  A sociologia nos permite analisar o percurso de uma pessoa. Entretanto, tal análise deve ter relação com as estruturas sociais da época.  
(     )  Os anseios de uma pessoa estão relacionados com a sociedade de seu tempo. É por isso que se pode fazer sociologia a partir de um “estudo de caso”.  
(     )  As análises sociológicas são próximas à psicologia, dado que acabam por valorizar os aspectos individuais, em detrimento dos aspectos sociais.  
(     )  A ideia de que há uma coerção social sobre o indivíduo é bastante comum à sociologia durkheimiana.  
(     )  A sociologia é uma ciência que procura analisar as relações do homem com o espaço. Todas as transformações sociais são analisadas a partir da relação entre o homem, a natureza e o território.  
  
6. (Uem)  “Para explicar a conexão existente entre gosto e acessibilidade, comparemos O Cravo Bem Temperado, de Bach, com a Rapsody in Blue, do compositor americano George Gershwin. Uma pesquisa conduzida pelo sociólogo francês Pierre Bourdieu mostrou que diferentes grupos sociais preferem uma dessas duas obras musicais (Bourdieu, 1984 [1979], p.17). Profissionais franceses com uma educação formal mais elevada, professores e artistas preferem O Cravo Bem Temperado; já profissionais com menos educação formal como escriturários, secretários, executivos comerciais e administradores juniores preferem a Rhapsody in Blue. Por quê? (...) De acordo com Bourdieu, durante sua educação, as pessoas adquirem gostos culturais específicos associados à sua posição social. Esses gostos ajudam a distingui-las de pessoas de outras posições sociais. Muitas delas chegam a olhar os apreciadores de Gershwin com superioridade, assim como os apreciadores de Gershwin chegam a considerar esnobes os entusiastas de Bach. Essas duas atitudes diferentes fazem com que os dois grupos de status permaneçam distintos.”

(BRYM, R. et al. Sociologia. Sua Bússola para um Novo Mundo,
São Paulo: Cengage Learning, 2009, p. 201-202).


A partir desse texto aprendemos que a desigualdade social não se manifesta somente através de diferenças econômicas. Sendo assim, é correto afirmar que:
01) As categorias “bom gosto” e “mau gosto” não expressam preconceito ou juízos de valor. Ao contrário, elas são princípios muito claros de classificação do que é bom e do que não é em termos de escolhas exclusivamente individuais em relação à arte, à vestimenta, à alimentação, à etiqueta e ao lazer.   
02) Educação formal e condições financeiras são fatores que têm grande capacidade de influenciar o gosto e o acesso aos bens e serviços disponíveis.    
04) As preferências pela “alta cultura” ou pela “baixa cultura” não possuem explicações sociológicas satisfatórias porque se referem exclusivamente à expressão do gosto individual.   
08) O uso de roupas para a prática esportiva, para o lazer ou para o trabalho diz respeito à capacidade de o indivíduo fazer escolhas adequadas e não à sinalização de diferenças de status social ou de riqueza.   
16) Gostos distintos em termos de viagens e de lazer, de música, de moda, de alimentação, de etiqueta e de literatura manifestam diferenças materiais e simbólicas entre os membros de uma sociedade.   
  
7. (Uem)  “A escola exclui, como sempre, mas ela exclui agora de forma continuada, a todos os níveis de curso, e mantém no próprio âmago daqueles que ela exclui, simplesmente marginalizando-os nas ramificações mais ou menos desvalorizadas. Esses ‘marginalizados por dentro’ estão condenados a oscilar entre a adesão maravilhada à ilusão proposta e a resignação aos seus veredictos, entre a submissão ansiosa e a revolta impotente”

(BOURDIEU, P. (org.). A miséria do mundo. Petrópolis: Vozes, 1993, p. 485).

Considerando a citação e as abordagens sociológicas sobre o contemporâneo processo de escolarização, assinale o que for correto.
01) O melhor desempenho escolar de certas pessoas está ligado ao dom natural para os estudos que desperta logo no nascimento, pois as aptidões intelectuais facilitam o aprendizado e permitem conseguir notas mais altas.   
02) Historicamente a escola tem sido uma instituição democrática que respeita as diferenças econômicas, sociais e culturais da sociedade e garante oportunidades iguais para as pessoas que se esforçam nos estudos.   
04) Ao ocultar seu papel na legitimação e na reprodução dos saberes, dos valores e das experiências dos grupos dominantes, a instituição escolar esconde também os seus mecanismos “sutis” de exclusão dos grupos marginalizados.   
08) A baixa qualidade do ensino oferecido pelas escolas públicas no Brasil está diretamente relacionada ao grande número de pessoas pobres que ela inclui, pois a condição econômica determina o desempenho escolar.   
16) Um dos principais desafios colocados para os atuais sistemas de ensino no Brasil tem sido a necessidade de assegurar a inclusão educacional de indivíduos e de grupos sociais que historicamente foram marginalizados pela escola regular.   
  
8. (Interbits)  Como estamos incluídos, como homem ou mulher, no próprio objeto que nos esforçamos por apreender, incorporamos, sob a forma de esquemas inconscientes de percepção e de apreciação, as estruturas históricas da ordem masculina; arriscamo-nos, pois, a recorrer, para pensar a dominação masculina, a modos de pensamento que são eles próprios produto da dominação.

BOURDIEU, Pierre. A dominação masculina. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005, p. 31.


O texto acima diz respeito a um conceito criado por Pierre Bourdieu para tentar compreender as formas de dominação na nossa sociedade. Quando Bourdieu fala sobre “esquemas inconscientes de percepção e apreciação”, ele está fazendo referência à teoria de qual autor clássico da sociologia?
a) À forma como Durkheim compreende as formas de classificação da sociedade.   
b) Ao modelo capitalista de exploração do trabalho estudado por Marx.   
c) Aos tipos de dominação apresentados por Max Weber.   
d) Aos estados de evolução da sociedade evocados por Auguste Comte.   
e) Ao regime disciplinar estudado por Michel Foucault em Vigiar e Punir.   
  
9. (Unioeste)  Pierre Bourdieu trata da cultura no sentido antropológico recorrendo a outro conceito, o “habitus”. Em sua obra O Sentido Prático, ele explica mais detalhadamente sua concepção do “habitus”. “Os habitus são sistemas de disposições duráveis e transponíveis, estruturas estruturadas predispostas a funcionar como estruturas estruturantes, isto é, a funcionar como princípios geradores e organizadores de práticas e de representações que podem ser objetivamente adaptadas a seu objetivo sem supor que se tenham em mira conscientemente estes fins e o controle das operações necessárias para obtê-los.”

BOURDIEU, O Sentido Prático, 1980, p.88.

Sobre o conceito de habitus é INCORRETO afirmar que
a) o habitus não é interiorizado pelos indivíduos, implica em consciência dos indivíduos para ser eficaz.   
b) o habitus funciona como a materialização da memória coletiva, que reproduz para os sucessores as aquisições dos precursores.   
c) o habitus é o que caracteriza uma classe ou um grupo social em relação aos outros que não compartilham das mesmas condições sociais.   
d) o habitus explica porque os membros de uma mesma classe agem frequentemente de maneira semelhante sem ter necessidade de entrar em acordo para isso.   
e) o habitus é o que permite aos indivíduos se orientarem em seu espaço social e adotarem práticas que estão de acordo com sua vinculação social. Ele torna possível para o indivíduo a elaboração de estratégias antecipadoras, que são guiadas por esquemas inconscientes, esquemas de percepção, de pensamento e de ação.   


Gabarito:  

1: B
2:  04 + 16 = 20.
3:A
4:C
5:  V – V – F – V – F
6: 02 + 16 = 18.
7:  04 + 16 = 20.
8: A
9: A










[1] Os sofistas foram os primeiros filósofos do período socrático. Esses se opunham à filosofia pré-socrática dizendo que estes ensinavam coisas contraditórias e repletas de erros que não apresentavam utilidade nas polis (cidades). Dessa forma, substituíram a natureza que antes era o principal objeto de reflexão pela arte da persuasão. 
Os sofistas ensinavam técnicas que auxiliavam as pessoas a defenderem o seu pensamento particular e suas próprias opiniões contrárias sobre o mesmo para que dessa forma conseguisse seu espaço. Por desprezarem algumas discussões feitas pelos filósofos, eram chamados de céticos até mesmo por Sócrates que se rebelou contra eles dizendo que desrespeitavam a verdade e o amor pela sabedoria. Outros filósofos ainda acreditavam que os sofistas criavam no meio filosófico o relativismo e o subjetivismo. 
Dentre os sofistas, pode-se destacar: Protágoras, Górgias, Hípias, Isócrates, Pródico, Crítias, Antifonte e Trasímaco, sendo que destes, Protágoras, Górgias e Isócrates foram os mais importantes. Estes, assim como os outros sofistas, prezavam pelo desenvolvimento do espírito crítico e pela capacidade de expressão. Uma conseqüência importante que se fez pelos sofistas foi a abertura da filosofia para todas as pessoas das polis que antes era somente uma seita intelectual fechada formada apenas por nobres.Protágoras difundiu a frase: “O homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são”. Por meio dela e de outras, foi acusado de ateísta tendo seus livros queimados em praça pública, o que o fez fugir de Atenas e refugiar-se em Sicília.
[2] Segundo a periodização clássica da história ocidental.
[3]Atribui-se a ele, também a criação do lema –saber é poder. Segundo Bacon, a ciência deveria valorizar a pesquisa experimental, tendo em vista proporcionar resultados objetivos para o homem.O método indutivo de investigação, baseado na observação rigorosa dos fenômenos naturais e do cumprimento das seguintes etapas: Observação da natureza para a coleta de informações; Organização racional dos dados recolhidos empiricamente;
Formulação de explicações gerais [hipóteses] destinadas à compreensão do fenômeno estudado; Comprovação da hipótese formulada mediante experimentações repetidas em novas circunstancias. A grande contribuição de Francis Bacon para a historia da ciência moderna foi apresentar conhecimento cientifico como resultado de um método de investigação capaz de conciliar a observação dos fenômenos , a elaboração racional das hipóteses e a experimentação controlada para comprovar as  conclusões obtidas. Fonte: http://breviariodasideias.blogspot.com/2008/11/francis-bacon-o-mtodo-experimental.html
[4] Durkheim entendia por solidariedade o conjunto de interações estabelecidas pelos indivíduos de uma coletividade. A divisão do trabalho poderia ser usada para exemplificar a evolução ou  não das  sociedades.
[5] Ideologia: Segundo Marx e Engels, o termo se encaixa na tradução de “falsa consciência”, ou seja, um conjunto de ideias falsas que justificavam o domínio burguês e camuflava a existência da dominação desta classe sobre a classe trabalhadora.
[6] Socialismo: Pressupõe uma sociedade na qual os meios de produção pertençam a todos os seus membros. Para tal, o sistema capitalista deveria ser superado, deixando de existir a propriedade privada e passando a existir a “propriedade coletiva”.